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Dr. Wilson Morikawa Jr.
4 de abril de 2023
A cirurgia de Parkinson — chamada Estimulação Cerebral Profunda (DBS, do inglês Deep Brain Stimulation) — é um dos avanços mais significativos da neurocirurgia funcional nas últimas décadas. Indicada para pacientes em que a medicação já não controla bem os sintomas, ela consiste no implante de eletrodos em áreas específicas do cérebro, conectados a um gerador colocado sob a pele. O resultado: redução significativa do tremor, da rigidez e da bradicinesia, permitindo redução de doses de medicação e devolvendo qualidade de vida que muitos pacientes não tinham há anos.
A cirurgia é dividida em fases bem definidas. Entender cada uma ajuda a desmistificar o procedimento e reduzir a ansiedade pré-operatória.
Ressonância magnética detalhada do cérebro, exames clínicos completos, avaliação multidisciplinar (neurologista, neuropsicólogo, neurocirurgião), suspensão ou ajuste de medicações específicas, instruções de jejum.
Sob anestesia local, fixa-se uma armação metálica (halo estereotáxico) na cabeça do paciente. Essa estrutura serve como referência tridimensional para guiar os eletrodos com precisão milimétrica até o alvo cerebral.
Com o halo já fixado, faz-se um exame de imagem que será fusionado com a ressonância prévia. Esse "GPS cerebral" permite calcular exatamente o trajeto até os núcleos cerebrais (subtalâmico, globo pálido ou tálamo, dependendo da indicação).
Com o paciente sedado mas colaborativo, faz-se um pequeno orifício no crânio (cerca de 1,5 cm) e os eletrodos são inseridos. Durante o implante, o paciente é solicitado a fazer movimentos para que a equipe avalie o efeito da estimulação em tempo real e ajuste a posição exata do eletrodo. Esse é o momento mais importante para o resultado a longo prazo.
Em uma segunda etapa (mesmo dia ou poucos dias depois), sob anestesia geral, implanta-se o gerador (semelhante a um marca-passo) sob a pele do tórax. Cabos subcutâneos conectam o gerador aos eletrodos cerebrais.
Cerca de 2-4 semanas após a cirurgia, inicia-se a programação fina do estimulador. Esse ajuste é feito em consultório, em várias sessões ao longo de meses, até encontrar a melhor configuração para o paciente. É a fase em que o efeito da cirurgia se consolida.
A estimulação cerebral profunda (DBS) é um procedimento cirúrgico que envolve o implante de eletrodos de estimulação cerebral. Esses eletrodos são conectados a um gerador de sinais elétricos, que é colocado sob a pele do peito. O gerador envia sinais elétricos para os eletrodos, estimulando áreas específicas do cérebro (Ex: núcleo subtalâmico ou globo palido interno) que são responsáveis pela elaboração movimentos do corpo. O DBS pode ajudar a controlar os sintomas do Parkinson como tremores, rigidez e lentidão de movimentos (bradicinesia), promovendo melhora significativa na qualidade de vida do paciente.
Qual a indicação da cirurgia?
Atualmente, com a evolução das técnicas de imagem com equipamentos modernos (ressonância magnética e tomografia computadorizada) e das técnicas intraoperatórias, esta cirurgia se tornou bem segura e com resultados excelentes quando bem indicada. Usualmente o paciente com mal de Parkinson antes de optar por realizar o procedimento cirúrgico deve ter um longo acompanhamento por neurologistas e neurocirurgiões especializados na área, com otimização da terapia medicamentosa e com um bom processo de reabilitação em conjunto com a fisioterapia e fonoaudiologia.
A indicação de cirurgia fica restrita aos pacientes que apresentem: diagnóstico confirmado, usualmente com história de mais de 5 anos de doença; boa resposta ao teste com Levodopa; apresente efeitos colaterais aos medicamentos, que podem ser resistência a medicação, fenômenos de “Freezing” e discinesia (movimentos involuntários) induzidas pela medicação.
Como é a cirurgia de Parkinson?
O implante do DBS não é simples e necessita de um centro de alta complexidade como alguns hospitais na cidade de São Paulo oferecem. Além do centro cirúrgico estar adequado para o procedimento, é necessária uma equipe multidisciplinar com um neurocirurgião altamente especializado, equipe de anestesia experiente com procedimentos em pacientes acordados, e biomédico especializado no auxílio do planejamento cirúrgico.
Outro fator importante é a aquisição de imagens de ressonância magnética de alta resolução com protocolos bem estabelecidos e o preparo pré-operatório adequado. Uma ressonância magnética com imagens de qualidade é fundamental para aumentar a precisão durante o implante de eletrodo cerebral profundo, uma vez que o posicionamento final do eletrodo com desvio de alguns milímetros irá prejudicar o resultado do procedimento com um desempenho desfavorável da programação e da neuromodulação cerebral.
A cirurgia é um procedimento longo, com duração de aproximadamente 7 horas, e devido esse período prolongado é essencial a sintonia de toda a equipe com o paciente. Durante a cirurgia o paciente estará acordado e totalmente lúcido em alguns momentos, esse passo é necessário para realização de testes motores e de fala durante o implante do eletrodo. Entretando, apesar de estar acordado, não deve ser uma experiência dolorosa.
Inicialmente, ocorre o implante de o halo de estereotaxia, aparelho que possibilita que o neurocirurgião realize o implante do eletrodo no alvo de escolha durante o procedimento cirúrgico. Após, é realizada uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética (a depender da preferência do cirurgião e das possibilidades da estrutura hospitalar) para aquisição de um plano estereotáxico. Com esse plano conseguimos programar o alvo e a trajetória para o correto posicionamento do DBS.
Com a programação feita, ocorre a tricotomia (cortamos o cabelo no local da cirurgia apenas, não é necessário cortar todo o cabelo do paciente), a antissepsia e a colocação de campos estéreis. Este passo, é importante para evitar umas das principais complicações, a infecção cirúrgica, e deve ser rigorosamente seguido. Após todo esse processo a cirurgia pode ser iniciada com segurança.
O implante do DBS é realizado com o paciente acordado para que seja possível a realização da análise neurofisiológica com o microregistro cerebral e com a estimulação neural. Durante essa fase o paciente conversa com a equipe médica e são realizados diversos testes avaliando a resposta da neuroestimulação, assim como os efeitos colaterais. Com essa técnica é possível avaliar que o eletrodo está implantado no local correto e concluir o procedimento.
Quais os riscos da cirurgia?
Um dos principais fatores relacionados ao insucesso da cirurgia é a indicação em um paciente que NÂO tem Doença de Parkinson. Essa correlação parece óbvia, porém no início da doença não é tão fácil a diferenciação de doenças que parecem Parkinson, porém não são. Essas são as chamadas de Síndromes Parkinson Plus e por isso é necessário o acompanhamento por um profissional experiente para conseguir diferenciá-las.
Outros riscos relacionados ao procedimento cirúrgico são: infecção, mal posicionamento do eletrodo, alterações comportamentais, hemorragia intracraniana, piora da fala e contrações involuntárias.
Qual o tempo de internação?
Usualmente, após a cirurgia o paciente permanece de 24 a 48 horas internado para receber antibióticos profiláticos e trocar curativos quando necessário.
Quando é realizado a programação do DBS?
A programação geralmente ocorre após 10 a 14 dias da cirurgia. Este tempo é necessário para a auxiliar na recuperação. A programação do eletrodo de estimulação cerebral profundo é realizada através de uma programadora, que geralmente é um tablet específico para essa função. Através deste aparelho é possível aumentar ou diminuir a amplitude e alterar outros parâmetros como frequência e largura de pulso da estimulação
Se você tem a Doença de Parkinson ou tem algum familiar com esta doença entre em contato com um médico especialista para avaliar se há a indicação do procedimento cirúrgico.
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A cirurgia DBS transforma a qualidade de vida de muitos pacientes — mas é importante entender o que ela faz e o que não faz. Honestidade aqui evita frustração depois.
| O que MELHORA (60-80% de redução) | O que NÃO melhora (ou melhora pouco) |
|---|---|
| ✅ Tremor de repouso e ação | ❌ Demência (não trata) |
| ✅ Rigidez muscular | ❌ Distúrbios da marcha avançados ou freezing |
| ✅ Bradicinesia (lentidão de movimentos) | ❌ Alterações posturais graves |
| ✅ Flutuações motoras (períodos on/off) | ❌ Depressão (em alguns casos pode até piorar) |
| ✅ Discinesias (movimentos involuntários) | ❌ Disfunção autonômica (pressão, intestino) |
| ✅ Redução das doses de medicação em 30-50% | ❌ Não cura a doença — Parkinson continua progredindo |
Em números: em pacientes bem selecionados, a melhora dos sintomas motores costuma ser de 60-80%. O efeito se mantém por anos. A bateria do gerador dura 4-7 anos (modelos não recarregáveis) ou 10-15 anos (recarregáveis), depois precisa de troca cirúrgica simples (não dos eletrodos cerebrais).
Mensagem central: a cirurgia DBS não cura o Parkinson, mas devolve qualidade de vida que poucos tratamentos médicos conseguem oferecer. Para o paciente certo, no momento certo, é uma das intervenções de maior impacto na neurocirurgia funcional.
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