Dr. Wilson Morikawa Jr.

Como é a cirurgia de Parkinson?

Doença de Parkinson

A cirurgia de Parkinson — chamada Estimulação Cerebral Profunda (DBS, do inglês Deep Brain Stimulation) — é um dos avanços mais significativos da neurocirurgia funcional nas últimas décadas. Indicada para pacientes em que a medicação já não controla bem os sintomas, ela consiste no implante de eletrodos em áreas específicas do cérebro, conectados a um gerador colocado sob a pele. O resultado: redução significativa do tremor, da rigidez e da bradicinesia, permitindo redução de doses de medicação e devolvendo qualidade de vida que muitos pacientes não tinham há anos.

EM RESUMO

  • O que é: Estimulação Cerebral Profunda (DBS) — implante de eletrodos em núcleos cerebrais específicos
  • Quando indicar: Falha do controle medicamentoso, flutuações motoras (ligadas/desligadas), discinesias incapacitantes
  • O que melhora: Tremor, rigidez, bradicinesia, qualidade de vida, redução de doses de medicação
  • O que NÃO melhora: Sintomas não-motores como demência, depressão, alterações posturais avançadas
  • Duração: A cirurgia leva 4-6 horas; internação geralmente de 3-5 dias
  • Recuperação: Retorno à atividade leve em 2-3 semanas; ajuste fino do estimulador ao longo de meses
  • Reversibilidade: O dispositivo pode ser desligado ou removido se necessário — diferente da cirurgia HIFU, que é definitiva
Como funciona a estimulação cerebral profunda

As Etapas da Cirurgia de Parkinson (DBS): Passo a Passo

A cirurgia é dividida em fases bem definidas. Entender cada uma ajuda a desmistificar o procedimento e reduzir a ansiedade pré-operatória.

1. Preparação Pré-Operatória (semanas antes)

Ressonância magnética detalhada do cérebro, exames clínicos completos, avaliação multidisciplinar (neurologista, neuropsicólogo, neurocirurgião), suspensão ou ajuste de medicações específicas, instruções de jejum.

2. Fixação do Estereotaxia (manhã da cirurgia)

Sob anestesia local, fixa-se uma armação metálica (halo estereotáxico) na cabeça do paciente. Essa estrutura serve como referência tridimensional para guiar os eletrodos com precisão milimétrica até o alvo cerebral.

3. Tomografia ou Ressonância Intraoperatória

Com o halo já fixado, faz-se um exame de imagem que será fusionado com a ressonância prévia. Esse "GPS cerebral" permite calcular exatamente o trajeto até os núcleos cerebrais (subtalâmico, globo pálido ou tálamo, dependendo da indicação).

4. Implante dos Eletrodos (paciente parcialmente acordado)

Com o paciente sedado mas colaborativo, faz-se um pequeno orifício no crânio (cerca de 1,5 cm) e os eletrodos são inseridos. Durante o implante, o paciente é solicitado a fazer movimentos para que a equipe avalie o efeito da estimulação em tempo real e ajuste a posição exata do eletrodo. Esse é o momento mais importante para o resultado a longo prazo.

5. Implante do Gerador (anestesia geral)

Em uma segunda etapa (mesmo dia ou poucos dias depois), sob anestesia geral, implanta-se o gerador (semelhante a um marca-passo) sob a pele do tórax. Cabos subcutâneos conectam o gerador aos eletrodos cerebrais.

6. Programação do Estimulador (semanas após)

Cerca de 2-4 semanas após a cirurgia, inicia-se a programação fina do estimulador. Esse ajuste é feito em consultório, em várias sessões ao longo de meses, até encontrar a melhor configuração para o paciente. É a fase em que o efeito da cirurgia se consolida.

O que é a estimulação cerebral profunda para a doença de Parkinson?

A estimulação cerebral profunda (DBS) é um procedimento cirúrgico que envolve o implante de eletrodos de estimulação cerebral. Esses eletrodos são conectados a um gerador de sinais elétricos, que é colocado sob a pele do peito. O gerador envia sinais elétricos para os eletrodos, estimulando áreas específicas do cérebro (Ex: núcleo subtalâmico ou globo palido interno) que são responsáveis pela elaboração movimentos do corpo. O DBS pode ajudar a controlar os sintomas do Parkinson como tremores, rigidez e lentidão de movimentos (bradicinesia), promovendo melhora significativa na qualidade de vida do paciente.

Qual a indicação da cirurgia?

Atualmente, com a evolução das técnicas de imagem com equipamentos modernos (ressonância magnética e tomografia computadorizada) e das técnicas intraoperatórias, esta cirurgia se tornou bem segura e com resultados excelentes quando bem indicada. Usualmente o paciente com mal de Parkinson antes de optar por realizar o procedimento cirúrgico deve ter um longo acompanhamento por neurologistas e neurocirurgiões especializados na área, com otimização da terapia medicamentosa e com um bom processo de reabilitação em conjunto com a fisioterapia e fonoaudiologia.

A indicação de cirurgia fica restrita aos pacientes que apresentem: diagnóstico confirmado, usualmente com história de mais de 5 anos de doença; boa resposta ao teste com Levodopa; apresente efeitos colaterais aos medicamentos, que podem ser resistência a medicação, fenômenos de “Freezing” e discinesia (movimentos involuntários) induzidas pela medicação.

Como é a cirurgia de Parkinson?

O implante do DBS não é simples e necessita de um centro de alta complexidade como alguns hospitais na cidade de São Paulo oferecem. Além do centro cirúrgico estar adequado para o procedimento, é necessária uma equipe multidisciplinar com um neurocirurgião altamente especializado, equipe de anestesia experiente com procedimentos em pacientes acordados, e biomédico especializado no auxílio do planejamento cirúrgico. 

Outro fator importante é a aquisição de imagens de ressonância magnética de alta resolução com protocolos bem estabelecidos e o preparo pré-operatório adequado. Uma ressonância magnética com imagens de qualidade é fundamental para aumentar a precisão durante o implante de eletrodo cerebral profundo, uma vez que o posicionamento final do eletrodo com desvio de alguns milímetros irá prejudicar o resultado do procedimento  com um desempenho desfavorável da programação e da neuromodulação cerebral.

A cirurgia  é um procedimento longo, com duração de aproximadamente 7 horas, e devido esse período prolongado é essencial a sintonia de toda a equipe com o paciente. Durante a cirurgia o paciente estará acordado e totalmente lúcido em alguns momentos, esse passo é necessário para realização de testes motores e de fala durante o implante do eletrodo. Entretando, apesar de estar acordado, não deve ser uma experiência dolorosa.

Inicialmente, ocorre o implante de o halo de estereotaxia, aparelho que possibilita que o neurocirurgião realize o implante do eletrodo no alvo de escolha durante o procedimento cirúrgico. Após, é realizada uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética (a depender da preferência do cirurgião e das possibilidades da estrutura hospitalar) para aquisição de um plano estereotáxico. Com esse plano conseguimos programar o alvo e a trajetória para o correto posicionamento do DBS.

Com a programação feita, ocorre a tricotomia (cortamos o cabelo no local da cirurgia apenas, não é necessário cortar todo o cabelo do paciente), a antissepsia e a colocação de campos estéreis. Este passo, é importante para evitar umas das principais complicações, a infecção cirúrgica, e deve ser rigorosamente seguido. Após todo esse processo a cirurgia pode ser iniciada com segurança.

O implante do DBS é realizado com o paciente acordado para que seja possível a realização da análise neurofisiológica com o microregistro cerebral e com a estimulação neural. Durante essa fase o paciente conversa com a equipe médica e são realizados diversos testes avaliando a resposta da neuroestimulação, assim como os efeitos colaterais. Com essa técnica é possível avaliar que o eletrodo está implantado no local correto e concluir o procedimento.

Quais os riscos da cirurgia?

Um dos principais fatores relacionados ao insucesso da cirurgia é a indicação em um paciente que NÂO tem Doença de Parkinson. Essa correlação parece óbvia, porém no início da doença não é tão fácil a diferenciação de doenças que parecem Parkinson, porém não são. Essas são as chamadas de Síndromes Parkinson Plus e por isso é necessário o acompanhamento por um profissional experiente para conseguir diferenciá-las.

Outros riscos relacionados ao procedimento cirúrgico são: infecção, mal posicionamento do eletrodo, alterações comportamentais, hemorragia intracraniana, piora da fala e contrações involuntárias.

Qual o tempo de internação?

               Usualmente, após a cirurgia o paciente permanece de 24 a 48 horas internado para receber antibióticos profiláticos e trocar  curativos quando necessário.

Quando é realizado a programação do DBS?

               A programação geralmente ocorre após 10 a 14 dias da cirurgia. Este tempo é necessário para a auxiliar na recuperação. A programação do eletrodo de estimulação cerebral profundo é realizada através de uma programadora, que geralmente é um tablet específico para essa função. Através deste aparelho é possível aumentar ou diminuir a amplitude e alterar outros parâmetros como frequência e largura de pulso da estimulação

Se você tem a Doença de Parkinson ou tem algum familiar com esta doença entre em contato com um médico especialista para avaliar se há a indicação do procedimento cirúrgico.

Caso tenha outras dúvidas entre em contato ou agende uma consulta.

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🎯 O Que Esperar do Resultado: Expectativas Realistas

A cirurgia DBS transforma a qualidade de vida de muitos pacientes — mas é importante entender o que ela faz e o que não faz. Honestidade aqui evita frustração depois.

O que MELHORA (60-80% de redução) O que NÃO melhora (ou melhora pouco)
✅ Tremor de repouso e ação ❌ Demência (não trata)
✅ Rigidez muscular ❌ Distúrbios da marcha avançados ou freezing
✅ Bradicinesia (lentidão de movimentos) ❌ Alterações posturais graves
✅ Flutuações motoras (períodos on/off) ❌ Depressão (em alguns casos pode até piorar)
✅ Discinesias (movimentos involuntários) ❌ Disfunção autonômica (pressão, intestino)
✅ Redução das doses de medicação em 30-50% ❌ Não cura a doença — Parkinson continua progredindo

Em números: em pacientes bem selecionados, a melhora dos sintomas motores costuma ser de 60-80%. O efeito se mantém por anos. A bateria do gerador dura 4-7 anos (modelos não recarregáveis) ou 10-15 anos (recarregáveis), depois precisa de troca cirúrgica simples (não dos eletrodos cerebrais).

Mensagem central: a cirurgia DBS não cura o Parkinson, mas devolve qualidade de vida que poucos tratamentos médicos conseguem oferecer. Para o paciente certo, no momento certo, é uma das intervenções de maior impacto na neurocirurgia funcional.

Perguntas Frequentes sobre a Cirurgia de Parkinson

Clique em cada pergunta para ver a resposta completa.

A cirurgia de Parkinson é feita com o paciente acordado?+
Parcialmente. Na fase de implante dos eletrodos cerebrais, o paciente fica sedado mas consciente para que a equipe avalie em tempo real o efeito da estimulação. Não há dor — o cérebro não tem terminações de dor. A parte do implante do gerador (no peito) é feita com anestesia geral. Pacientes em casos selecionados (com ansiedade muito alta ou condições específicas) podem fazer toda a cirurgia sob anestesia geral.
Quanto tempo dura a cirurgia DBS?+
Em média, 4 a 6 horas para o implante dos eletrodos, e mais 1 a 2 horas para o gerador (frequentemente feito em outro dia). A duração não é o que define o sucesso — a precisão técnica e o tempo dedicado a verificar a posição correta do eletrodo durante o procedimento é o que importa.
Quando volto a fazer atividades normais depois da cirurgia?+
Atividades leves (caminhada, leitura) em 7-10 dias. Trabalho de escritório em 2-3 semanas. Atividades físicas mais intensas em 4-6 semanas, com liberação médica. Dirigir é liberado geralmente após 4 semanas, dependendo do controle dos sintomas e da programação do estimulador.
Quanto tempo dura a bateria do estimulador?+
Depende do modelo. Geradores não recarregáveis duram em média 4-7 anos. Modelos recarregáveis (o paciente recarrega através da pele com um dispositivo externo) duram 10-15 anos. Quando a bateria acaba, faz-se uma cirurgia simples para troca apenas do gerador — os eletrodos cerebrais permanecem.
Posso fazer ressonância magnética depois da cirurgia DBS?+
Sim, com precauções. Os dispositivos modernos são "MR-conditional" — permitem ressonância com protocolos específicos. É essencial avisar o radiologista antes do exame, levar a carteira do dispositivo e ter o estimulador adequadamente programado para o exame. Aparelhos antigos podem ter mais restrições.
O estimulador fica ligado o tempo todo?+
Sim, na grande maioria dos casos. A estimulação contínua mantém os benefícios. Em alguns pacientes específicos pode-se programar para desligar durante o sono. O paciente recebe um controle remoto que permite ligar/desligar o aparelho e fazer ajustes finos dentro de parâmetros programados pelo médico.
DBS ou HIFU: qual é melhor?+
Depende do caso. DBS permite tratar ambos os lados do cérebro, é ajustável e reversível — melhor para Parkinson com sintomas bilaterais. HIFU não tem incisões nem implantes, recuperação muito rápida — bom para casos selecionados de tremor (essencial ou Parkinson) tratáveis em um lado por vez. A indicação é individualizada após avaliação especializada.
procedimento cirurgico de implante do DBS para o tratamento da Doença de Parkinson
Procedimento cirurgico de implante do DBS

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