Dr. Wilson Morikawa Jr.

Neurocirurgião Especialista no
Tratamento da Distrofia Simpático Reflexa

Distrofia Simpático-Reflexa (CRPS) — Tratamento Especializado da Dor Regional Complexa

A Distrofia Simpático-Reflexa — atualmente denominada Síndrome de Dor Regional Complexa (CRPS — Complex Regional Pain Syndrome) — é uma das dores crônicas mais intensas e incapacitantes que existem. Caracteriza-se por dor desproporcional ao trauma que a originou, frequentemente acompanhada por alterações cutâneas, vasculares, motoras e autonômicas do membro afetado. É também conhecida pelos termos históricos "causalgia" ou Síndrome de Dor Regional Complexa (SDRC/SDCR).

A boa notícia: a CRPS tem tratamento eficaz, especialmente quando diagnosticada precocemente. A abordagem é multidisciplinar e escalonada — medicação específica, reabilitação intensiva, bloqueios simpáticos e, em casos refratários, neuromodulação com estimulação medular ou eletrodos DRG. A escolha entre as técnicas depende do território afetado, da resposta ao tratamento clínico e do perfil individual de cada paciente.

Em Resumo

O que é

Síndrome de dor crônica regional intensa desencadeada por trauma, cirurgia ou lesão nervosa.

Outros nomes

CRPS, SDRC, SDCR, causalgia — todos descrevem a mesma condição.

Mais comum em

Mulheres (3 a 4x mais frequente), entre 50-70 anos, em membros superiores.

Características

Dor desproporcional, alterações cutâneas, edema, alterações de temperatura e motoras.

Diagnóstico

Clínico — critérios de Budapeste + termografia + bloqueio simpático diagnóstico.

Tratamento refratário

Eletrodo DRG e estimulação medular — alta eficácia para CRPS focal.

O que é a Síndrome de Dor Regional Complexa

A CRPS é uma amplificação descontrolada da dor que se desenvolve após algum evento desencadeante — geralmente um trauma (fratura, entorse, contusão), uma cirurgia ou lesão nervosa. O mecanismo exato ainda não é totalmente compreendido, mas envolve alterações no processamento central e periférico da dor, disfunção do sistema nervoso autônomo simpático e fenômenos inflamatórios neuroplásticos.

A dor é desproporcional ao trauma original — pacientes descrevem como queimação, choque elétrico e pressão intensa, frequentemente acompanhada de sintomas que vão muito além da dor: edema persistente, mudança da temperatura da pele, alteração da coloração, perda de pelos, alterações de sudorese e dificuldade motora. É uma síndrome multissistêmica que afeta nervos, vasos e tecidos.

Tipos de CRPS

A CRPS é dividida em dois tipos conforme exista ou não lesão identificável de nervo:

CRPS Tipo I

SEM LESÃO NERVOSA

Antiga "Distrofia Simpático-Reflexa"

Não há lesão identificável de nervo nos exames complementares. Geralmente desencadeada por trauma leve a moderado, cirurgia, imobilização prolongada ou eventos isquêmicos. É a forma mais frequente.

Exemplos comuns: CRPS após fratura de Colles, cirurgia ortopédica, imobilização com gesso.

CRPS Tipo II

COM LESÃO NERVOSA

Antiga "Causalgia"

Há lesão identificável de nervo que precede ou acompanha o quadro. Tipicamente associada a traumas graves — fraturas expostas, ferimentos por arma, transecção parcial de nervo periférico — ou complicações cirúrgicas com lesão neural.

Exemplos comuns: CRPS após lesão de plexo braquial, ferimentos com lesão de nervo mediano ou ulnar.

Fenômeno de Migração

A CRPS pode migrar para outros membros

O fenômeno não ocorre em todos os casos, mas é importante reconhecê-lo. Estudos mostram que aproximadamente 50% dos pacientes podem desenvolver acometimento de outro membro além do inicial. Em até 30% dos casos, os 4 membros podem ser afetados ao longo do tempo.

Por isso o diagnóstico e tratamento precoces são tão importantes — quanto antes o quadro é controlado, menor o risco de migração e cronificação.

Sintomas Característicos da CRPS

A CRPS afeta múltiplas funções do membro acometido — não é apenas dor isolada. Os 9 sintomas mais frequentes:

Queimação Intensa

Dor em queimação contínua, desproporcional ao evento desencadeante.

Hiperalgesia

Resposta exagerada a estímulos dolorosos — pequenos toques geram dor intensa.

Alodínea

Dor por estímulos normalmente indolores — vento, toque leve, tecido da roupa.

Alteração de Temperatura

Membro afetado mais frio ou mais quente que o contralateral — assimetria detectável.

Alteração da Coloração

Pele pálida, arroxeada ou avermelhada — sinal de disfunção vascular autonômica.

Edema Persistente

Inchaço local que não responde a medidas convencionais ou repouso.

Alterações dos Pelos

Crescimento alterado — pelos mais longos, mais espessos ou perda de pelos.

Alteração Motora

Dificuldade de movimentar dedos, mãos ou pés — fraqueza, tremor, distonia focal.

Mudança da Textura da Pele

Pele brilhante, fina ou espessada — alterações tróficas características.

Critérios Diagnósticos

O diagnóstico de CRPS é clínico — não há exame único que confirme. Os 4 critérios principais (Critérios de Budapeste, adotados internacionalmente):

1

Evento Desencadeante

Presença de lesão ou imobilização prévia do membro acometido — trauma, cirurgia, ferida, evento isquêmico.

2

Dor Desproporcional

Dor desproporcional ao evento desencadeante, associada a alodínea e hiperalgesia.

3

Sinais Multissistêmicos

Presença de edema, alterações de pele, alterações circulatórias e alterações motoras no membro acometido.

4

Exclusão de Outras Causas

Ausência de outra condição clínica que possa explicar o grau de dor e os achados clínicos.

Exames Auxiliares

Termografia e Bloqueio Simpático Diagnóstico

Além dos critérios clínicos, dois exames auxiliam significativamente no diagnóstico da CRPS:

  • Termografia: exame rápido, indolor e não invasivo que evidencia assimetria de temperatura entre o membro afetado e o contralateral — confirma o comprometimento vascular autonômico.
  • Bloqueio simpático diagnóstico: aplicação de anestésico em gânglios do sistema nervoso simpático. Resposta positiva (alívio temporário da dor) confirma o envolvimento do componente simpático e tem valor prognóstico para tratamentos posteriores.

Tratamento da CRPS

O tratamento da CRPS é complexo, individualizado e multidisciplinar. As diretrizes internacionais recomendam abordagem integrada entre médicos especialistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e psicólogos — todos atuando em paralelo. Quanto mais precoce o início do tratamento, melhor o prognóstico.

Abordagem em Pilares

Pilar 1

Medicação Específica

Analgésicos, anticonvulsivantes, corticoides na fase aguda, suplementação de vitamina C.

Pilar 2

Fisioterapia Especializada

Reabilitação motora progressiva, dessensibilização, terapia espelho, exercícios graduais.

Pilar 3

Terapia Ocupacional

Reabilitação funcional, estratégias de adaptação para atividades diárias e laborais.

Pilar 4

Bloqueios Simpáticos

Procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem — diagnósticos e terapêuticos.

Pilar 5

Apoio Psicológico

Terapia cognitivo-comportamental, manejo de ansiedade, depressão e estratégias de enfrentamento.

Pilar 6

Neuromodulação

Para casos refratários: estimulação medular (SCS) e eletrodo DRG — alta eficácia.

Diferencial Técnico

Eletrodo DRG — A Tecnologia Que Transformou o Tratamento da CRPS

A CRPS frequentemente afeta áreas focais e específicas (mão, pé, joelho, virilha) onde a estimulação medular tradicional tem resposta menor. O Eletrodo DRG (Gânglio da Raiz Dorsal) é uma evolução tecnológica recente que permite modulação muito mais seletiva dessas áreas — com excelentes resultados em CRPS de membros.

Estudos clínicos demonstram superioridade do DRG vs SCS tradicional em CRPS focal de membros — com maior taxa de sucesso, melhor controle de dor e qualidade de vida superior em casos refratários ao tratamento conservador.

Modulação

Seletiva

Teste prévio

5-7 dias

Reversível

Sim

Aprofunde: entenda em detalhes como funciona a tecnologia da neuromodulação, as 3 principais técnicas (SCS, DRG, PNS) e como o teste prévio confirma a eficácia antes do implante definitivo no Guia Completo de Neuromodulação da Dor.

Perguntas Frequentes sobre Distrofia Simpático-Reflexa (CRPS)

Respostas diretas às dúvidas mais comuns de pacientes e familiares.

A CRPS tem cura?
Em casos diagnosticados e tratados precocemente, há boa chance de remissão completa. Quanto antes começar o tratamento multidisciplinar adequado, melhor o prognóstico. Em casos crônicos estabelecidos, o objetivo é controle eficaz da dor e restauração funcional — frequentemente alcançado com abordagem combinada, incluindo neuromodulação quando necessário. O diagnóstico tardio (após 6-12 meses) reduz significativamente as chances de remissão total.
Por que a CRPS é mais comum em mulheres?
A CRPS é 3 a 4 vezes mais frequente em mulheres, especialmente entre 50-70 anos. Os mecanismos não são totalmente compreendidos, mas envolvem provavelmente fatores hormonais (estrogênio modula percepção de dor), diferenças no sistema nervoso autônomo e maior prevalência de algumas condições predisponentes em mulheres. É importante destacar que homens também desenvolvem CRPS — e nesses casos o quadro frequentemente é igualmente grave.
Um pequeno trauma pode causar CRPS?
Sim, e essa é uma das características mais desconcertantes da síndrome. A CRPS pode se desenvolver após traumas leves, fraturas simples, entorses e até procedimentos rotineiros como cirurgias de carpo ou imobilizações com gesso. A intensidade do trauma não prediz o desenvolvimento da síndrome — alguns pacientes desenvolvem após eventos mínimos, enquanto outros não desenvolvem após traumas graves. A predisposição individual parece ser o fator mais importante.
Qual a diferença entre CRPS Tipo I e Tipo II?
A diferença é a presença ou ausência de lesão identificável de nervo:
  • Tipo I (antes "Distrofia Simpático-Reflexa"): NÃO há lesão nervosa identificável. Geralmente após traumas leves, cirurgias ou imobilizações.
  • Tipo II (antes "Causalgia"): HÁ lesão nervosa identificável que precede ou acompanha o quadro. Tipicamente após traumas graves ou ferimentos.

O tratamento é semelhante em ambos os tipos, mas o Tipo II pode exigir abordagem específica para a lesão nervosa associada.

Por que o eletrodo DRG é particularmente eficaz para CRPS?
A CRPS frequentemente afeta áreas focais (uma mão, um pé, um joelho) — territórios específicos onde a estimulação medular tradicional tem resposta menor por estimular áreas amplas demais. O Eletrodo DRG é posicionado no gânglio da raiz dorsal, ponto de "entrada" dos sinais sensoriais na medula. Isso permite modulação muito mais seletiva do território doloroso, com excelentes resultados em CRPS focal — estudos confirmam superioridade do DRG vs SCS para essa indicação específica.
A CRPS é uma doença psicológica?
Não. A CRPS tem mecanismos neurobiológicos bem documentados — disfunção do sistema nervoso autônomo simpático, alterações na neuroplasticidade central e inflamação neurogênica. Os achados clínicos (alterações de temperatura, edema, alterações de pele) são objetivos e mensuráveis. O fato de envolver dor severa pode contribuir secundariamente para ansiedade, depressão e distúrbios de sono — que merecem tratamento próprio — mas a dor não é "psicogênica". Acreditar o contrário causa estigma e retarda o diagnóstico.
Posso fazer fisioterapia mesmo com dor intensa?
Sim, e é essencial — mas com fisioterapeuta especializado em CRPS. A reabilitação progressiva é parte fundamental do tratamento. Imobilizar o membro por causa da dor piora o quadro a médio prazo (atrofia, rigidez, perda funcional). O fisioterapeuta usa técnicas específicas: terapia espelho, dessensibilização gradual, mobilização ativa-assistida, exercícios em água. O controle adequado da dor (medicação ou neuromodulação) frequentemente é o que viabiliza a fisioterapia eficaz.
O plano de saúde cobre o tratamento da CRPS?
Sim. Medicação específica, bloqueios simpáticos, fisioterapia especializada, neuromodulação medular (SCS) e eletrodo DRG são todos cobertos pela maioria dos planos para indicações reconhecidas pela ANS. Para neuromodulação, a autorização exige laudo médico detalhado com histórico, falha do tratamento conservador e resposta positiva ao teste prévio. O escritório auxilia no preparo da documentação para o convênio.
Dr. Wilson Morikawa Jr. - Especialista em CRPS

Tratamento Especializado

Distrofia Simpático-Reflexa
em São Paulo

Dr. Wilson Morikawa Jr. — Neurocirurgião Funcional
CRM-SP 163.410  ·  RQE 101.438

Avaliação especializada para pacientes com Síndrome de Dor Regional Complexa (CRPS / SDRC). Abordagem multidisciplinar e individualizada — bloqueios simpáticos, medicação otimizada, fisioterapia especializada e neuromodulação (Eletrodo DRG e Estimulação Medular) em casos refratários, com teste prévio antes do implante definitivo.

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