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A Distrofia Simpático-Reflexa — atualmente denominada Síndrome de Dor Regional Complexa (CRPS — Complex Regional Pain Syndrome) — é uma das dores crônicas mais intensas e incapacitantes que existem. Caracteriza-se por dor desproporcional ao trauma que a originou, frequentemente acompanhada por alterações cutâneas, vasculares, motoras e autonômicas do membro afetado. É também conhecida pelos termos históricos "causalgia" ou Síndrome de Dor Regional Complexa (SDRC/SDCR).
A boa notícia: a CRPS tem tratamento eficaz, especialmente quando diagnosticada precocemente. A abordagem é multidisciplinar e escalonada — medicação específica, reabilitação intensiva, bloqueios simpáticos e, em casos refratários, neuromodulação com estimulação medular ou eletrodos DRG. A escolha entre as técnicas depende do território afetado, da resposta ao tratamento clínico e do perfil individual de cada paciente.
Em Resumo
O que é
Síndrome de dor crônica regional intensa desencadeada por trauma, cirurgia ou lesão nervosa.
Outros nomes
CRPS, SDRC, SDCR, causalgia — todos descrevem a mesma condição.
Mais comum em
Mulheres (3 a 4x mais frequente), entre 50-70 anos, em membros superiores.
Características
Dor desproporcional, alterações cutâneas, edema, alterações de temperatura e motoras.
Diagnóstico
Clínico — critérios de Budapeste + termografia + bloqueio simpático diagnóstico.
Tratamento refratário
Eletrodo DRG e estimulação medular — alta eficácia para CRPS focal.
A CRPS é uma amplificação descontrolada da dor que se desenvolve após algum evento desencadeante — geralmente um trauma (fratura, entorse, contusão), uma cirurgia ou lesão nervosa. O mecanismo exato ainda não é totalmente compreendido, mas envolve alterações no processamento central e periférico da dor, disfunção do sistema nervoso autônomo simpático e fenômenos inflamatórios neuroplásticos.
A dor é desproporcional ao trauma original — pacientes descrevem como queimação, choque elétrico e pressão intensa, frequentemente acompanhada de sintomas que vão muito além da dor: edema persistente, mudança da temperatura da pele, alteração da coloração, perda de pelos, alterações de sudorese e dificuldade motora. É uma síndrome multissistêmica que afeta nervos, vasos e tecidos.
A CRPS é dividida em dois tipos conforme exista ou não lesão identificável de nervo:
Antiga "Distrofia Simpático-Reflexa"
Não há lesão identificável de nervo nos exames complementares. Geralmente desencadeada por trauma leve a moderado, cirurgia, imobilização prolongada ou eventos isquêmicos. É a forma mais frequente.
Exemplos comuns: CRPS após fratura de Colles, cirurgia ortopédica, imobilização com gesso.
Antiga "Causalgia"
Há lesão identificável de nervo que precede ou acompanha o quadro. Tipicamente associada a traumas graves — fraturas expostas, ferimentos por arma, transecção parcial de nervo periférico — ou complicações cirúrgicas com lesão neural.
Exemplos comuns: CRPS após lesão de plexo braquial, ferimentos com lesão de nervo mediano ou ulnar.
A CRPS pode migrar para outros membros
O fenômeno não ocorre em todos os casos, mas é importante reconhecê-lo. Estudos mostram que aproximadamente 50% dos pacientes podem desenvolver acometimento de outro membro além do inicial. Em até 30% dos casos, os 4 membros podem ser afetados ao longo do tempo.
Por isso o diagnóstico e tratamento precoces são tão importantes — quanto antes o quadro é controlado, menor o risco de migração e cronificação.
A CRPS afeta múltiplas funções do membro acometido — não é apenas dor isolada. Os 9 sintomas mais frequentes:
Queimação Intensa
Dor em queimação contínua, desproporcional ao evento desencadeante.
Hiperalgesia
Resposta exagerada a estímulos dolorosos — pequenos toques geram dor intensa.
Alodínea
Dor por estímulos normalmente indolores — vento, toque leve, tecido da roupa.
Alteração de Temperatura
Membro afetado mais frio ou mais quente que o contralateral — assimetria detectável.
Alteração da Coloração
Pele pálida, arroxeada ou avermelhada — sinal de disfunção vascular autonômica.
Edema Persistente
Inchaço local que não responde a medidas convencionais ou repouso.
Alterações dos Pelos
Crescimento alterado — pelos mais longos, mais espessos ou perda de pelos.
Alteração Motora
Dificuldade de movimentar dedos, mãos ou pés — fraqueza, tremor, distonia focal.
Mudança da Textura da Pele
Pele brilhante, fina ou espessada — alterações tróficas características.
O diagnóstico de CRPS é clínico — não há exame único que confirme. Os 4 critérios principais (Critérios de Budapeste, adotados internacionalmente):
Evento Desencadeante
Presença de lesão ou imobilização prévia do membro acometido — trauma, cirurgia, ferida, evento isquêmico.
Dor Desproporcional
Dor desproporcional ao evento desencadeante, associada a alodínea e hiperalgesia.
Sinais Multissistêmicos
Presença de edema, alterações de pele, alterações circulatórias e alterações motoras no membro acometido.
Exclusão de Outras Causas
Ausência de outra condição clínica que possa explicar o grau de dor e os achados clínicos.
Exames Auxiliares
Além dos critérios clínicos, dois exames auxiliam significativamente no diagnóstico da CRPS:
O tratamento da CRPS é complexo, individualizado e multidisciplinar. As diretrizes internacionais recomendam abordagem integrada entre médicos especialistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e psicólogos — todos atuando em paralelo. Quanto mais precoce o início do tratamento, melhor o prognóstico.
Pilar 1
Medicação Específica
Analgésicos, anticonvulsivantes, corticoides na fase aguda, suplementação de vitamina C.
Pilar 2
Fisioterapia Especializada
Reabilitação motora progressiva, dessensibilização, terapia espelho, exercícios graduais.
Pilar 3
Terapia Ocupacional
Reabilitação funcional, estratégias de adaptação para atividades diárias e laborais.
Pilar 4
Bloqueios Simpáticos
Procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem — diagnósticos e terapêuticos.
Pilar 5
Apoio Psicológico
Terapia cognitivo-comportamental, manejo de ansiedade, depressão e estratégias de enfrentamento.
Pilar 6
Neuromodulação
Para casos refratários: estimulação medular (SCS) e eletrodo DRG — alta eficácia.
Diferencial Técnico
A CRPS frequentemente afeta áreas focais e específicas (mão, pé, joelho, virilha) onde a estimulação medular tradicional tem resposta menor. O Eletrodo DRG (Gânglio da Raiz Dorsal) é uma evolução tecnológica recente que permite modulação muito mais seletiva dessas áreas — com excelentes resultados em CRPS de membros.
Estudos clínicos demonstram superioridade do DRG vs SCS tradicional em CRPS focal de membros — com maior taxa de sucesso, melhor controle de dor e qualidade de vida superior em casos refratários ao tratamento conservador.
Modulação
Seletiva
Teste prévio
5-7 dias
Reversível
Sim
Aprofunde: entenda em detalhes como funciona a tecnologia da neuromodulação, as 3 principais técnicas (SCS, DRG, PNS) e como o teste prévio confirma a eficácia antes do implante definitivo no Guia Completo de Neuromodulação da Dor.
Respostas diretas às dúvidas mais comuns de pacientes e familiares.
O tratamento é semelhante em ambos os tipos, mas o Tipo II pode exigir abordagem específica para a lesão nervosa associada.
Tratamento Especializado
Dr. Wilson Morikawa Jr. — Neurocirurgião Funcional
CRM-SP 163.410 · RQE 101.438
Avaliação especializada para pacientes com Síndrome de Dor Regional Complexa (CRPS / SDRC). Abordagem multidisciplinar e individualizada — bloqueios simpáticos, medicação otimizada, fisioterapia especializada e neuromodulação (Eletrodo DRG e Estimulação Medular) em casos refratários, com teste prévio antes do implante definitivo.
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