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Atualizado em setembro de 2026
Em 25 de maio de 2026, a ANVISA aprovou no Brasil a combinação foslevodopa/foscarbidopa — uma formulação de levodopa administrada por infusão subcutânea contínua ao longo das 24 horas do dia, por meio de uma bomba portátil. É a primeira terapia desse tipo liberada no país.
A indicação é específica: doença de Parkinson avançada com flutuações motoras graves que já não são controladas pelo ajuste da medicação oral. Não é um tratamento para quem foi diagnosticado recentemente, nem substitui o comprimido de quem está bem controlado.
Esta página explica o que exatamente foi aprovado, por que a infusão contínua resolve um problema que o comprimido não resolve, o que os estudos de fase 3 mostraram — incluindo a taxa alta de efeitos no local da aplicação, que raramente aparece nas manchetes — e onde essa opção se encaixa entre as demais terapias avançadas já disponíveis.
Em Resumo
O que foi aprovado
Foslevodopa/foscarbidopa em infusão subcutânea contínua por 24 horas, com bomba portátil. Aprovação da ANVISA em 25/05/2026.
Para quem
Parkinson avançado com flutuações motoras graves e incapacitantes que não respondem mais ao ajuste da medicação oral.
O problema que resolve
O sobe e desce do efeito. A infusão mantém o nível sanguíneo estável, em vez dos picos e vales que o comprimido produz.
O ganho medido
Mais tempo com bom controle motor e sem discinesia incômoda, quando comparado à levodopa oral de liberação imediata.
O custo que ninguém conta
Reações no local da agulha são a regra, não a exceção. Cerca de 4 em cada 10 pacientes abandonaram o tratamento nos estudos.
Não é a única opção
Divide o mesmo momento de decisão com a estimulação cerebral profunda e com o gel intestinal. A escolha é individual.
A aprovação, publicada em 25 de maio de 2026, autoriza o uso de foslevodopa e foscarbidopa em solução para infusão subcutânea contínua. São pró-fármacos — moléculas modificadas da levodopa e da carbidopa, desenhadas para serem solúveis o suficiente para caber num volume pequeno e serem absorvidas pelo tecido sob a pele.
Essa é a inovação técnica real. A levodopa comum não pode ser infundida sob a pele: ela precisaria de um volume grande demais. Reformulá-la como pró-fármaco é o que tornou possível trocar o tubo que vai ao intestino por uma agulha fina na barriga.
A molécula não é nova. O que mudou foi a via de entrada — e, com ela, o quanto de procedimento invasivo a terapia exige antes de começar.
A terapia já era usada em outros países antes da aprovação brasileira, com registro em dezenas de mercados e milhares de pacientes em uso. O Brasil entra agora nesse grupo.
Nos primeiros anos da doença, o comprimido de levodopa funciona muito bem e o efeito dura o dia todo. Com a progressão, a janela de ação encurta. O paciente passa a viver um ciclo previsível e exaustivo: toma o remédio, melhora, e algumas horas depois trava de novo.
Esses são os períodos on e off. E no topo dos picos aparece o outro lado do problema: a discinesia, aqueles movimentos involuntários que surgem quando a concentração da droga sobe demais. O paciente fica espremido entre travar e se mexer sem querer.
O que o comprimido faz
Produz um pico de concentração seguido de queda. Com a doença avançada, esse gráfico em dente de serra é exatamente o que gera flutuação e discinesia.
O que a infusão faz
Entrega a droga de forma constante, sem picos e sem vales. O conceito se chama estimulação dopaminérgica contínua e é o mesmo princípio por trás das outras terapias avançadas.
Por que 24 horas importa
A infusão cobre também a madrugada. Rigidez noturna, dificuldade para virar na cama e travamento ao acordar são queixas que o esquema oral raramente resolve bem.
A aprovação se apoiou em um estudo de fase 3 comparando a infusão subcutânea contínua com a levodopa/carbidopa oral de liberação imediata, somado a um estudo aberto de 52 semanas que avaliou segurança e eficácia no uso prolongado.
O desfecho principal
Aumento do tempo diário em que o paciente está com bom controle motor e sem discinesia incômoda, superior ao obtido com a medicação oral. Não é só mais tempo bom — é mais tempo bom sem o efeito colateral que costuma acompanhar.
O que se mantém no longo prazo
O estudo aberto de 12 meses mostrou manutenção do benefício ao longo do ano, com perfil de segurança em que a maioria dos eventos foi de intensidade leve a moderada e não grave.
O que os estudos não responderam
Não existe comparação direta entre esta terapia e a estimulação cerebral profunda. Quem afirmar que uma é superior à outra está indo além do que os dados sustentam.
Toda notícia de aprovação destaca o benefício. Como a decisão é do paciente e da família, os números do outro lado precisam estar na mesma página — e neste tratamento eles são expressivos.
Reação no local da aplicação é a regra
No estudo controlado, cerca de 62% dos pacientes tiveram alguma reação no local da infusão, contra 8% no grupo comparador. Na série aberta de longo prazo, o número chegou perto de 82%. As queixas mais comuns foram dor, vermelhidão, nódulos e hematoma.
Infecção no local ocorreu em cerca de 28%, contra 3% no comparador, sendo a celulite a apresentação mais frequente. Isso significa cuidado diário com o sítio de punção e rodízio disciplinado dos locais de aplicação.
É o preço da via subcutânea. Ela evita a cirurgia que o gel intestinal exige, mas transfere o problema para a pele, todos os dias.
Quase metade abandonou nos estudos
Dos 244 pacientes de um dos estudos, 107 interromperam o tratamento antes do fim — cerca de 44%. O motivo mais frequente foram os eventos adversos, em torno de 23%.
O dado mais útil dessa análise é quando as pessoas desistem: a maior parte das interrupções aconteceu nas primeiras 10 semanas, durante a fase de ajuste de dose. Depois disso, a taxa se estabiliza. Ou seja, o início é o período crítico — e é onde o acompanhamento próximo faz mais diferença.
Atenção
A retirada abrupta de medicação dopaminérgica pode desencadear um quadro grave, com rigidez intensa, febre e alteração da consciência. Qualquer mudança de esquema em Parkinson avançado — inclusive a migração para infusão — é feita com ajuste supervisionado.
Sinais no local da aplicação que exigem contato imediato com a equipe: vermelhidão que se expande, calor local com febre, secreção ou dor progressiva.
O Momento da Decisão
Quando o comprimido deixa de dar conta, abre-se o capítulo das terapias avançadas. Todas perseguem o mesmo objetivo — entregar estímulo dopaminérgico de forma contínua em vez de intermitente — e diferem no caminho, na invasividade e na rotina que impõem.
Infusão subcutânea
Sem cirurgia para iniciar. Bomba externa acoplada 24 horas e cuidado diário com a pele. Reversível: basta suspender. O ônus é cutâneo e permanente enquanto durar o tratamento.
Gel intestinal
Exige procedimento endoscópico para posicionar a sonda no intestino delgado. Bomba externa durante o dia. Mesma lógica de infusão contínua, com ônus no estoma em vez da pele.
Estimulação cerebral profunda
Cirurgia para implante de eletrodos e gerador. Depois de ajustada, não há bomba, curativo nem manejo diário visível. O ônus está concentrado no procedimento inicial.
Não existe ensaio clínico comparando essas terapias cabeça a cabeça, e a literatura reconhece abertamente a ausência de diretriz baseada em evidência para escolher entre elas. A decisão é individual, e leva em conta idade, cognição, rede de apoio, destreza manual, tolerância a procedimento e — o que costuma pesar mais na prática — qual rotina cada paciente consegue sustentar.
As dúvidas que mais aparecem desde a aprovação, na consulta e por mensagem.
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Avaliação do momento de indicar uma terapia avançada e de qual delas se encaixa no seu caso — comparando infusão contínua e estimulação cerebral profunda a partir da sua rotina, da sua rede de apoio e do estágio da doença, sem partir de uma resposta pronta.
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