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Dr. Wilson Morikawa Jr.

O Pé Gruda no Chão e Não Sai: O Congelamento da Marcha no Parkinson

Você ia atravessar a porta e o pé simplesmente não saiu do lugar. A cabeça mandou, o corpo entendeu, e mesmo assim os pés ficaram colados no chão por alguns segundos. Isso tem nome: congelamento da marcha, ou freezing da marcha. Não é fraqueza, não é falta de vontade e não é "coisa da cabeça".

É um sintoma específico da doença de Parkinson, com mecanismo próprio e tratamento próprio — e o primeiro passo é descobrir se o seu congelamento acontece quando o remédio está fazendo efeito ou quando não está. Essa única pergunta muda tudo o que vem depois, inclusive se a cirurgia entra ou não na conversa.

Em Resumo

O que é

Bloqueio breve e involuntário do início ou da continuidade do passo, com sensação de pé colado ao chão.

Quão comum

Cerca de 40% dos pacientes com Parkinson. Sobe para 53% após 5 anos de doença e 71% após 10 anos.

Por que importa

Junto com a instabilidade postural, responde por cerca de 80% das quedas no Parkinson.

A pergunta que separa tudo

O congelamento melhora quando o remédio faz efeito? Se sim, é um problema. Se não, é outro.

O que ajuda na hora

Pistas externas — uma linha no chão, um ritmo contado, um passo lateral. Contornam o circuito que falhou.

Quando entra cirurgia

Quando o congelamento é do período sem efeito do remédio. O do período "ligado" tem outra abordagem.

O que está acontecendo quando o pé não sai

Andar parece automático porque é. Existe no cérebro um gerador interno de ritmo que dispara um passo atrás do outro sem que você precise pensar em cada um. No Parkinson, a perda de dopamina desorganiza esse gerador. Em determinados momentos — e só em determinados momentos — ele simplesmente falha em emitir o próximo comando, e o corpo fica preso num intervalo que pode durar de um a vários segundos.

É por isso que o congelamento é episódico, e não contínuo. A pessoa anda bem por metros, trava na porta do banheiro, e volta a andar bem. Quem assiste de fora costuma interpretar como falta de esforço. É o contrário: o esforço está todo lá, e é o comando que não chega.

O detalhe que prova que não é fraqueza

A mesma pessoa que não consegue dar um passo à frente em geral consegue subir uma escada, pedalar uma bicicleta ou passar por cima de um obstáculo sem dificuldade nenhuma. Degrau, pedal e obstáculo funcionam como um comando vindo de fora, e o cérebro usa outra rota para executá-los — uma rota que a doença poupou. A força está intacta. O que falhou foi o gatilho interno do passo.

Onde o congelamento costuma acontecer

Os episódios não são aleatórios. Reconhecer o padrão é útil na consulta e é útil dentro de casa, porque quase todo gatilho tem um contorno possível.

Ao começar a andar

A hesitação de início. Levantou da cadeira e os primeiros passos não saem, ou saem miudinhos e acelerados sem sair do lugar.

Ao girar

O gatilho mais frequente e o mais perigoso. Girar exige reorganizar o passo, e é o momento em que a queda costuma acontecer.

Portas e espaços estreitos

Batentes, corredores, o vão entre a cama e a parede. O estreitamento visual parece disparar o bloqueio.

Fazendo duas coisas ao mesmo tempo

Andar conversando, carregando um copo, procurando a chave. A atenção dividida derruba o que sobrou do automatismo.

Sob pressão de tempo

O telefone tocando, a campainha, o semáforo fechando, o elevador com a porta abrindo. A pressa piora, nunca melhora.

Lugares cheios

Supermercado, fila, saída de igreja. É onde muita gente começa a evitar sair — e a evitação tem custo próprio.

A pergunta que muda todo o tratamento

Existe uma pergunta que precisa ser respondida antes de qualquer decisão, e ela é simples o bastante para você observar em casa: o congelamento acontece mais quando o remédio está fazendo efeito ou quando o efeito está passando?

Congelamento do período "desligado"

Aparece quando a dose está terminando e melhora ou desaparece quando a próxima faz efeito. Acompanha o resto dos sintomas motores. É o subtipo que responde ao ajuste da medicação — e o subtipo em que a cirurgia tem o que oferecer.

Congelamento que persiste no período "ligado"

Continua acontecendo mesmo quando tremor, rigidez e lentidão estão bem controlados. Não segue o ritmo da medicação. Exige outra estratégia — e aqui aumentar a levodopa costuma não resolver, podendo até piorar.

Não existe consenso fechado sobre qual dos dois é mais frequente, e vale dizer isso com honestidade: em estudos que aplicam um teste formal de levodopa, o congelamento que persiste no período "ligado" apareceu em número semelhante ou maior que o do período "desligado" — numa série de 45 pacientes, 19 mantinham congelamento no "ligado" contra 11 apenas no "desligado". Ou seja, a suposição automática de que "é só ajustar o remédio" está errada em boa parte dos casos.

É por isso que essa distinção não deve ser feita de memória nem no consultório em cinco minutos. O caminho correto é um diário de sintomas por alguns dias, anotando o horário de cada dose e o horário de cada episódio de travamento. Esse papel simples vale mais que qualquer exame nessa decisão específica.

Quando a marcha travada não é Parkinson

Nem toda marcha que trava é doença de Parkinson — e três causas alternativas mudam completamente a conduta. Uma delas tem tratamento cirúrgico direto. Se algum dos quadros abaixo descreve o seu caso, o diagnóstico precisa ser reexaminado antes de se tratar o congelamento como sintoma de Parkinson.

Marcha travada + perda de urina + esquecimento

Essa combinação sugere hidrocefalia de pressão normal, um acúmulo de líquido nos ventrículos cerebrais que se manifesta em idosos e é frequentemente confundido com Parkinson ou com demência. É a mais importante desta lista porque tem tratamento cirúrgico: após a derivação, a marcha melhora em cerca de 86% dos pacientes, a continência em 69% e a cognição em 44%. Merece ressonância e avaliação neurocirúrgica.

Travamento só nas pernas, com histórico de AVC ou pressão alta de longa data

O parkinsonismo vascular é descrito como "parkinsonismo de corpo inferior": a marcha e o equilíbrio ficam parkinsonianos enquanto os braços permanecem praticamente normais, sem tremor de repouso. A resposta à levodopa costuma ser pobre, e o alvo do tratamento passa a ser o controle dos fatores de risco vascular.

Quedas para trás logo no primeiro ou segundo ano

Queda precoce, sem tropeço que a justifique e quase sempre para trás, é sinal de alerta para paralisia supranuclear progressiva, sobretudo quando vem com dificuldade de mover os olhos para baixo. No Parkinson clássico as quedas aparecem tarde e costumam ser para a frente. Atenção a um ponto importante: nos dois primeiros anos, menos de um terço dos casos confirmados apresenta a alteração do olhar e apenas cerca de metade já caiu — a ausência desses sinais não exclui o diagnóstico.

O ponto em comum entre os três: nenhum responde à levodopa como o Parkinson responde. Resposta fraca ou ausente ao remédio, em quem trava para andar, é motivo para revisar o diagnóstico e não apenas para aumentar a dose.

Marcha travada com perda de urina e esquecimento merece avaliação neurocirúrgica.

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O que fazer no momento em que o pé trava

A lógica de todas as estratégias abaixo é a mesma: se o gerador interno de ritmo falhou, fornece-se um ritmo externo. O cérebro então executa o passo por outra rota, a mesma que permite subir escada e pedalar.

Pare de tentar ir para a frente

Insistir no passo à frente aumenta a inclinação do tronco e é assim que se cai. Pare, endireite o corpo, redistribua o peso e recomece.

Dê um passo para o lado primeiro

O bloqueio é do passo para a frente. Um passo lateral, ou transferir o peso de um pé para o outro algumas vezes, costuma destravar a sequência.

Conte em voz alta ou use ritmo

"Um, dois, um, dois", uma marcha militar imaginada, um metrônomo no celular, uma música de andamento constante. O ritmo vem de fora e substitui o que falhou.

Passe por cima de uma linha

Uma fita colada no chão nos pontos críticos da casa, o pé de quem acompanha colocado à frente como alvo, ou bengalas com projetor de laser.

Faça uma coisa de cada vez

Parar de conversar para atravessar a porta não é falta de educação, é técnica. Copo e objetos na mão saem do caminho antes de andar.

Para quem acompanha: não puxe

Puxar pelo braço desequilibra e aumenta o risco de queda. Ofereça o ritmo em voz alta, ou o próprio pé como alvo, e espere.

O que a evidência sustenta e o que ainda não sustenta

As pistas externas melhoram medidas objetivas de mobilidade funcional. Pistas visuais aumentam o comprimento da passada; pistas visuais e auditivas reduzem o tempo de giro e a variabilidade do passo; pistas de toque melhoram a velocidade de marcha. Nada disso é impressão clínica: são resultados de revisões sistemáticas com meta-análise.

A limitação precisa ser dita: a maior parte desses estudos mede o efeito imediato, em laboratório, numa única sessão. A sustentação do ganho no dia a dia e ao longo de meses é muito menos estudada, e os resultados entre trabalhos são heterogêneos. Uma revisão recente resume bem o achado central — uma pista não serve para todos. A que funciona para você é encontrada testando, de preferência com fisioterapeuta com experiência em distúrbios do movimento.

A Sequência de Investigação

Congelamento da marcha não se trata pulando etapas. A ordem abaixo existe porque cada degrau muda a interpretação do seguinte.

Primeiro

Confirmar que é Parkinson. Resposta pobre à levodopa, quedas precoces para trás, perda de urina com esquecimento ou travamento restrito às pernas obrigam a reabrir o diagnóstico antes de qualquer outra coisa.

Segundo

Definir o subtipo com diário. Alguns dias registrando horário das doses e horário dos travamentos. Sem isso, não se sabe se o alvo é a medicação ou outra coisa — e todo o resto fica no chute.

Terceiro

Otimizar o esquema dopaminérgico. Se o congelamento é do período "desligado", encurtar os intervalos sem efeito é o tratamento. Se persiste no "ligado", aumentar a dose pode piorar, e a redução cuidadosa às vezes é o caminho — decisão que exige acompanhamento próximo, nunca ajuste por conta própria.

Quarto

Treinar pista e marcha com fisioterapia. Isso entra em todos os subtipos, inclusive nos que vão operar. Nenhuma cirurgia substitui o treino de estratégia.

Quinto

Avaliar terapia avançada. Só aqui entram cirurgia e terapias de infusão, e a escolha depende do subtipo definido no segundo passo.

Onde a cirurgia entra — e onde não entra

Existe uma frase circulando por aí que diz que a estimulação cerebral profunda não trata congelamento da marcha. Ela está certa pela metade, e a metade que falta é justamente a que interessa a quem está decidindo.

Congelamento do "desligado": a cirurgia tem o que oferecer

A estimulação do núcleo subtalâmico funciona, de modo geral, sobre aquilo que já responde à levodopa. Se o seu congelamento melhora quando o remédio faz efeito, ele tende a melhorar com o estimulador — porque o mecanismo é o mesmo e a cirurgia amplia e estabiliza a janela de bom funcionamento.

Congelamento do "ligado": aqui a frase está certa

O congelamento que persiste apesar de tremor e rigidez bem controlados tem efeito limitado com a estimulação convencional, e em parte dos casos pode piorar. Prometer resolução desse subtipo com cirurgia é desonesto — e é motivo frequente de frustração no pós-operatório.

Vale registrar uma nuance que a literatura recente trouxe e que ainda não é conduta estabelecida: num subgrupo de cerca de 30% dos pacientes cujo congelamento não respondia à medicação, a estimulação produziu benefício mesmo assim. É um sinal de que a regra "não responde a levodopa, não responde ao DBS" pode ser mais rígida do que a realidade — mas é achado de pesquisa, não critério de indicação. Hoje, congelamento resistente a levodopa continua sendo um fator que pesa contra a cirurgia na maioria dos serviços, e é assim que eu apresento ao paciente.

Já tenho DBS e comecei a travar: a reprogramação em baixa frequência

Quando o congelamento aparece ou piora em quem já está implantado, existe um recurso antes de se concluir que não há mais nada a fazer: baixar a frequência de estimulação. A maioria dos pacientes é programada em torno de 130 Hz, e reduzir para cerca de 60 Hz muda o efeito sobre os sintomas axiais — marcha, fala e deglutição — de forma diferente do efeito sobre tremor e rigidez.

Um estudo randomizado e duplo-cego comparou 60 Hz, 130 Hz e estimulação desligada, e encontrou melhora de deglutição, de congelamento da marcha e dos sintomas axiais com a frequência baixa, mantida ao longo de seis semanas de acompanhamento.

O que precisa ser dito junto: nem todos os estudos confirmaram esse benefício, e existe um custo real — a frequência baixa pode reduzir o controle do tremor em parte dos pacientes. É uma troca, e precisa ser testada e conversada caso a caso, não aplicada como receita. Em quem tem congelamento incapacitante e tremor pouco relevante, costuma valer a tentativa.

O que o tratamento do congelamento não faz

  • Não interrompe a progressão da doença de Parkinson. Nenhum tratamento disponível hoje faz isso.
  • Não elimina os episódios. O objetivo realista é reduzir frequência, encurtar duração e evitar quedas.
  • Não substitui fisioterapia. Medicação e cirurgia mudam o terreno; a estratégia de marcha ainda precisa ser treinada.
  • A estimulação cerebral profunda não corrige alterações posturais avançadas nem o congelamento resistente à levodopa.
  • A reprogramação em baixa frequência não funciona para todos, e pode custar controle de tremor.
  • Não existe garantia de resultado, e desconfie de quem prometer que o congelamento vai acabar.

Por que isso merece atenção agora e não depois

O congelamento não é apenas incômodo. Junto com a instabilidade postural, ele responde por cerca de 80% das quedas no Parkinson — e queda, nessa população, tem consequência desproporcional. Num seguimento prospectivo de vinte anos com 136 pacientes acompanhados desde o diagnóstico, 87% caíram e 35% tiveram fratura. Entre os que caem, cerca de um terço sofre fratura e outro quarto sofre lesões menores. O risco de fratura de quadril é cerca de quatro vezes maior do que na população geral.

Há ainda um custo que não aparece em estatística: o medo. Depois de duas ou três quedas, a pessoa começa a evitar sair, evita o supermercado, evita a visita. A perda de condicionamento e de convívio que vem daí piora tudo — inclusive o próprio congelamento. Tratar cedo é também impedir que esse ciclo se instale.

Medidas de casa que reduzem risco imediato: tirar tapetes soltos, iluminar o caminho até o banheiro, instalar barras de apoio, marcar com fita os pontos onde o travamento acontece sempre, e evitar mobília no trajeto dos giros. São mudanças baratas e com efeito real.

Perguntas frequentes

Meu pé gruda no chão mas eu consigo subir escada normalmente. Isso faz sentido?
Faz todo sentido e é um dos sinais mais característicos do congelamento da marcha. Andar em linha reta depende de um gerador interno de ritmo que a doença desorganiza. Subir escada, pedalar ou passar por cima de um obstáculo depende de um comando externo — o degrau, o pedal, o obstáculo — e o cérebro executa isso por outra rota, que a doença poupa. É exatamente esse mecanismo que as estratégias de pista exploram: contar em voz alta, passar por cima de uma linha no chão ou usar um ritmo externo transforma o passo automático em passo comandado. Vale registrar que isso também é a melhor resposta para quem em volta interpreta o travamento como falta de esforço.
O congelamento significa que meu Parkinson está avançando?
Em geral ele aparece com o tempo de doença, sim, mas não é um marcador confiável de gravidade nem de prognóstico individual. Os números de prevalência mostram a tendência: cerca de 22% dos pacientes com menos de cinco anos de doença apresentam congelamento, contra 53% acima de cinco anos e 71% acima de dez. Ainda assim, há quem tenha muitos anos de Parkinson sem nunca travar, e há quem trave relativamente cedo. O que realmente muda a conduta não é o fato de ter congelamento, e sim qual subtipo é o seu — e isso se descobre observando a relação dos episódios com o horário das doses, não pelo tempo de doença.
Aumentar a levodopa resolve?
Depende inteiramente do subtipo, e essa é a razão de o diário de sintomas vir antes de qualquer ajuste. Se o congelamento acontece quando o efeito da dose está acabando, encurtar os períodos sem efeito costuma ser o tratamento certo e pode resolver bem. Se o congelamento persiste justamente quando o remédio está fazendo efeito, aumentar a dose tende a não ajudar e, em parte dos casos, piora o quadro — nesses pacientes a redução cuidadosa é que às vezes melhora a marcha. Como as duas condutas são opostas, errar o subtipo significa caminhar na direção contrária. Nenhum desses ajustes deve ser feito por conta própria: alteração de esquema dopaminérgico exige acompanhamento médico.
Sou candidato à cirurgia de DBS se meu principal problema é o congelamento?
A resposta honesta depende do subtipo. Se o seu congelamento melhora claramente quando a medicação faz efeito, ele tende a responder ao estimulador, porque a estimulação do núcleo subtalâmico atua sobretudo sobre aquilo que já responde à levodopa — e nesse cenário a cirurgia é uma conversa legítima. Se o congelamento persiste mesmo com tremor e rigidez bem controlados, o benefício esperado é limitado e existe risco de piora; congelamento resistente à levodopa continua pesando contra a indicação na maioria dos serviços. Há dados recentes sugerindo que cerca de 30% dos resistentes podem se beneficiar, mas isso é achado de pesquisa e não critério de indicação. Em nenhum cenário o congelamento isolado é, por si só, indicação de cirurgia.
Já tenho o estimulador implantado e comecei a travar. O que pode ser feito?
Antes de concluir que não há mais recurso, vale revisar a programação. A maior parte dos pacientes é estimulada em torno de 130 Hz, e reduzir para cerca de 60 Hz altera o efeito sobre os sintomas axiais — marcha, fala e deglutição — de maneira distinta do efeito sobre tremor e rigidez. Um estudo randomizado e duplo-cego comparando 60 Hz, 130 Hz e estimulação desligada encontrou melhora de congelamento, deglutição e sintomas axiais com a frequência baixa, mantida em seis semanas. A ressalva precisa vir junto: nem todos os estudos confirmaram o achado, e a frequência baixa pode custar controle de tremor em parte dos pacientes. É uma troca a ser testada caso a caso, junto com a revisão do esquema de medicação e do posicionamento dos contatos ativos.
Meu pai trava para andar, perde urina e anda esquecido. É Parkinson?
Pode ser, mas essa combinação específica — marcha travada, perda de controle urinário e declínio de memória — é a apresentação clássica da hidrocefalia de pressão normal, que é uma condição diferente e com tratamento cirúrgico próprio. Ela é frequentemente confundida com Parkinson e com demência, e passa despercebida por anos. A distinção importa muito porque, após a cirurgia de derivação, a marcha melhora em cerca de 86% dos pacientes, a continência em 69% e a cognição em 44%. A investigação envolve ressonância e um teste de retirada de líquor, cuja capacidade de prever resposta à cirurgia é apenas moderada — sensibilidade em torno de 58% e especificidade de 75% —, razão pela qual a decisão nunca se apoia num exame só. Vale uma avaliação neurocirúrgica.
Fisioterapia funciona mesmo ou é só para não ficar parado?
Funciona, com um recorte honesto sobre o que está demonstrado. Revisões sistemáticas com meta-análise mostram ganho objetivo em mobilidade funcional com treino de pistas, com pistas visuais melhorando o comprimento da passada, pistas visuais e auditivas reduzindo o tempo de giro, e pistas de toque melhorando a velocidade da marcha. A limitação é que a maior parte dos estudos avalia efeito imediato, em ambiente controlado, e a sustentação no dia a dia está muito menos estudada. Uma revisão recente resume o ponto prático: uma pista não serve para todos. Encontrar a sua exige teste, de preferência com fisioterapeuta habituado a distúrbios do movimento. E há um argumento adicional: a fisioterapia entra em todos os subtipos, inclusive nos que vão operar — a cirurgia muda o terreno, mas não ensina estratégia de marcha.
O que a família deve fazer no momento em que a pessoa trava?
A primeira regra é não puxar pelo braço. Puxar desequilibra e é uma causa frequente de queda no exato momento do travamento. O que ajuda é oferecer um comando externo e dar tempo: contar em voz alta um ritmo constante, colocar o próprio pé à frente como alvo para a pessoa passar por cima, ou pedir que ela dê um passo para o lado antes de tentar ir para a frente. Também ajuda reduzir a pressão — pressa, campainha tocando e várias pessoas falando ao mesmo tempo pioram o bloqueio. E vale insistir num ponto: o travamento não é falta de vontade nem manha. A pessoa está tentando. O comando é que não chegou.

Tratamento Especializado

Congelamento da Marcha no Parkinson
em São Paulo

Dr. Wilson Morikawa Jr. — Neurocirurgia Funcional
CRM-SP 163410 · RQE 101438

Avaliação de congelamento da marcha com definição do subtipo antes de qualquer decisão — separando o travamento que responde à medicação daquele que persiste apesar dela, revisando o diagnóstico quando o quadro não se comporta como Parkinson, e situando com honestidade se e quando a estimulação cerebral profunda entra na conversa. Para quem já está implantado, revisão de programação incluindo teste de frequência baixa. Teleconsulta disponível para pacientes de outras cidades.

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