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Dor Crônica · Pós-Cirúrgica
Não é raro, e não significa que a cirurgia deu errado. Cerca de um em cada cinco pacientes continua com dor meses depois de uma prótese de joelho tecnicamente bem-sucedida.
Em revisão sistemática de estudos prospectivos, entre 10% e 34% dos operados relataram resultado insatisfatório de dor entre três meses e cinco anos após a cirurgia. No estudo multicêntrico de melhor qualidade, o número foi de 20% aos seis meses.
A primeira pergunta é sempre do ortopedista: a prótese está bem? Infecção, soltura e instabilidade precisam ser afastadas antes de qualquer outra coisa. Esta página trata do que vem depois, quando os exames mostram uma prótese em ordem e a dor continua. Nesse cenário, o gerador costuma ser o nervo, e isso muda completamente o tratamento.
Antes de tratar como nervo
Dor neuropática é diagnóstico de quem já teve a prótese avaliada. Estes sinais apontam para um problema mecânico ou infeccioso, que tem tratamento próprio e que um tratamento de dor apenas mascararia. Procure o cirurgião que operou:
Inchaço e dor em uma panturrilha podem indicar trombose venosa. Falta de ar súbita ou dor no peito ao respirar podem indicar embolia pulmonar. Febre alta com o joelho quente e muito doloroso pode ser infecção aguda da prótese. Em qualquer desses casos, vá ao pronto-socorro ou ligue 192.
Em Resumo
Leitura de 1 minuto01
A radiografia mostra os componentes alinhados, os exames de sangue estão normais, o ortopedista examina e não encontra frouxidão. E a dor continua. Esse quadro tem explicação, e ela não está no metal.
Para colocar a prótese, o cirurgião precisa atravessar a pele e a cápsula do joelho, regiões ricas em pequenos nervos sensitivos. O mais exposto é o ramo infrapatelar do nervo safeno, que cruza exatamente a linha da incisão. Na maioria das pessoas, o resultado é só uma área dormente ao lado da cicatriz, que não incomoda. Em uma minoria, o nervo lesado cicatriza de forma desorganizada e passa a disparar sinais de dor por conta própria.
Há um segundo mecanismo. Quem conviveu por anos com a dor da artrose chega à cirurgia com o sistema nervoso já sensibilizado: a medula e o cérebro aprenderam a amplificar os sinais vindos daquele joelho. Trocar a articulação remove a causa original, mas não desliga de imediato essa amplificação.
Os dois últimos números vêm de um mesmo estudo com mais de 300 pacientes acompanhados, e dizem duas coisas ao mesmo tempo. O componente de nervo é muito frequente na dor que persiste. E ele tende a diminuir ao longo do primeiro ano, o que justifica não ter pressa de partir para procedimentos.
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A dor mecânica e a dor neuropática se comportam de maneiras diferentes, e a descrição do paciente costuma separar uma da outra antes de qualquer exame.
Aparece com carga e movimento: ao levantar, subir escada, caminhar. Melhora com repouso. É profunda, localizada na articulação.
Para onde apontaPara a prótese e os tecidos em volta. A avaliação é do ortopedista.
Queimação, choque, agulhada ou formigamento. Dói em repouso e à noite. O toque do lençol ou da calça incomoda, e pode haver uma área dormente ao lado da cicatriz.
Para onde apontaPara o nervo. Analgésico comum e anti-inflamatório ajudam pouco.
Um ponto preciso ao lado da cicatriz que, ao ser tocado, dispara um choque: esse achado simples do exame físico sugere neuroma e muda a investigação.
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Existe um terceiro grupo, e é o que justifica um neurocirurgião neste assunto. Em alguns pacientes, a dor sentida no joelho nasce em outro lugar, e por isso não cedeu com a prótese.
As raízes que saem da parte alta da coluna lombar levam sensibilidade para a frente da coxa e do joelho. Hérnia ou estenose nesse nível produz dor na face anterior do joelho, muitas vezes sem dor nas costas. Costuma piorar em pé ou ao caminhar e vir acompanhada de fraqueza para subir degraus.
A artrose do quadril pode se manifestar como dor na coxa e no joelho. O exame do quadril e uma radiografia simples resolvem a dúvida, e é uma causa clássica de prótese de joelho que "não funcionou".
Dor desproporcional, com alteração de temperatura, cor e suor da pele, e rigidez que avança. É incomum, mas tem janela de tratamento: quanto antes reconhecida, melhor a resposta.
Dor em queimação nas duas pernas, simétrica, começando pelos pés, não respeita o lado operado. A prótese não a causa nem a resolve.
Síndrome de dor regional complexa: critérios, fases e tratamento →
Doenças da coluna: hérnia, estenose e as dores que elas irradiam →
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Com a prótese liberada e o padrão neuropático identificado, o tratamento começa pelo que é menos invasivo. Reabilitação dirigida e dessensibilização da cicatriz fazem parte desde o início.
Os medicamentos de primeira linha para dor neuropática são amitriptilina, duloxetina, gabapentina e pregabalina. Funcionam de modo diferente do analgésico comum e levam semanas para mostrar efeito.
Nos estudos de dor neuropática em geral, é preciso tratar entre 3,6 e 7,7 pacientes com esses medicamentos para que um tenha alívio de pelo menos metade da dor. Ou seja: ajudam uma parte, não todos, e não é falha do paciente quando não funcionam. Uma tentativa bem feita, com dose e tempo adequados, é o que autoriza subir o próximo degrau.
Quando o remédio não basta
São degraus sucessivos, não alternativas equivalentes. A radiofrequência é o passo menor e vem antes. A estimulação do gânglio é reservada para quem não respondeu, ou respondeu por pouco tempo.
Os nervos geniculares levam a sensibilidade da cápsula do joelho. Com agulhas guiadas por imagem, primeiro se faz um bloqueio-teste com anestésico; se a dor cede, aplica-se a radiofrequência, que interrompe a condução desses nervos por meses. É ambulatorial e não interfere na prótese.
Um eletrodo fino é posicionado junto ao gânglio da raiz dorsal de L3 ou L4, a estação por onde passa a sensibilidade do joelho, e conectado a um gerador implantado. Há um período de teste antes do implante definitivo: só segue quem teve alívio real.
Radiofrequência após prótese: revisão de 2026 reuniu 10 estudos e 211 pacientes, com um único ensaio randomizado e certeza baixa; o efeito além de 12 meses não foi estudado. DRG no joelho: séries pequenas, sem grupo controle, e dois dos 14 pacientes tiveram o eletrodo retirado. O ensaio randomizado do DRG foi feito em dor regional complexa do membro inferior, não especificamente em prótese.
O que você deve saber sobre o eletrodo DRG →
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Não existe garantia de joelho sem dor. Existe diagnóstico bem feito, uma sequência lógica de tratamento e expectativa combinada antes de cada passo. Desconfie de quem prometer mais do que isso.
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As dúvidas de quem operou o joelho esperando o fim da dor.
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Tratamento Especializado
Dr. Wilson Morikawa Jr. — Neurocirurgião
CRM-SP 163410 · RQE 101438
Avaliação da dor que persiste após a prótese de joelho, depois de afastadas as causas da própria prótese, incluindo a investigação da coluna lombar como origem. Quando há indicação: radiofrequência dos nervos geniculares e estimulação do gânglio da raiz dorsal, sempre com teste antes do implante. Segunda opinião e teleconsulta disponíveis para pacientes de outras cidades.
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