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Dr. Wilson Morikawa Jr.
14 de fevereiro de 2023
A neuralgia pós-herpética é uma dor neuropática crônica que persiste por mais de 3 meses após a resolução das lesões cutâneas do herpes zóster (cobreiro). Atinge cerca de 10 a 20% dos pacientes que tiveram herpes zóster, sendo mais comum em idosos e em quem teve quadro grave da doença aguda. A boa notícia: existem tratamentos modernos eficazes — e uma vacina que reduz o risco de desenvolver essa complicação dolorosa.
A neuralgia pós-herpética é a condição em que há a ocorrência de dor crônica, persistente e debilitante no trajeto do nervo que foi acometido pela infecção viral. Usualmente a dor tem como característica ser lancinante, associado a grande sofrimento do paciente, com alteração da sensibilidade da pele, podendo ter coceira ou ser semelhante a uma “facada” alem de ser comum o paciente apresentar lesões de pele cicatrizadas no mesmo local da dor devido o quadro infeccioso da herpes.
Entender as fases ajuda a identificar quando a dor passou de "esperada" para um quadro crônico que precisa tratamento especializado.
Dor, queimação ou formigamento em uma área do corpo — sem ainda aparecer as vesículas. Frequentemente confundido com dor muscular ou nevralgia simples.
Aparecimento das vesículas características em um lado do corpo, seguindo o trajeto do nervo. Dor pode ser intensa. Tratamento com antivirais (aciclovir, valaciclovir) nas primeiras 72h reduz risco de complicações.
Lesões já cicatrizaram, mas a dor pode persistir. Maioria dos pacientes melhora completamente nesse período.
Dor neuropática crônica estabelecida. Não vai melhorar espontaneamente na maioria dos casos — exige tratamento específico. É aqui que a avaliação por especialista em dor faz diferença real.
Normalmente, os pacientes que apresentam o quadro de infecção viral pelo Herpes Zooster com resolução em até 3 meses possuem um risco baixo de desenvolver a dor da neuralgia pós-herpética. A não resolução do quadro infeccioso após 3 meses é um dos principais fatores de risco para desenvolver esta síndrome álgica crônica. Outro fator de risco importante para o desenvolvimento deste tipo de dor é a idade maior do que 60 anos, uma vez que estudos demonstram que a dor por neuralgia pós-herpética ocorre em 20% dos casos de hérpes zooster e destes 80% ocorrem em pacientes com mais de 60 anos.
O tratamento é escalonado conforme a resposta — começa pelo menos invasivo e progride se necessário.
| Tratamento | Indicação | Eficácia | Observação |
|---|---|---|---|
| Gabapentina / Pregabalina | 1ª linha | 60-70% | Dose ajustada gradualmente. Sonolência inicial |
| Amitriptilina / Nortriptilina | 1ª linha (especialmente noturna) | 50-60% | Dose baixa. Cuidado em idosos |
| Lidocaína tópica 5% | Dor localizada, alodínea | 40-50% (boa para sintomas leves a moderados) | Adesivos por 12h/dia. Sem efeito sistêmico |
| Capsaicina tópica | Casos específicos | 30-40% | Ardência inicial intensa. Versão 8% em ambiente médico |
| Bloqueios anestésicos / radiofrequência | Dor focal refratária | 60-75% | Realizados sob guia de imagem |
| Neuromodulação medular | Casos refratários ao tratamento conservador | 60-80% em casos selecionados | Teste com eletrodo provisório antes do implante |
| Eletrodos DRG (gânglio da raiz dorsal) | Dor focal em dermátomos específicos | 70-85% | Tecnologia mais recente. Modulação seletiva |
A melhor estratégia contra neuralgia pós-herpética é prevenir o herpes zóster. Existem duas vacinas disponíveis no Brasil:
Discuta com seu médico se a vacinação é indicada para você, especialmente se tem mais de 60 anos, é diabético ou tem imunossupressão.
O tratamento de escolha inicial é com o uso da terapia medicamentosa. Os medicamentos recomendados por diversas entidades médicas, como a European Federation of Neurological Societe, são medicamentos antidepressivos e anticonvulsivantes, associado a opioides como tramadol e patchs de capsaicina e lidocaína.
Nos casos em que o quadro álgico é refratário a terapia medicamentosa os procedimentos invasivos são a terapia de escolha. Dentre as possibilidades terapêuticas estão a infiltração dos nervos doentes, a rizotomia pulsada e as técnicas de neuromodulação com pequenos eletrodos implantados na coluna ou nos nervos. Cada uma das técnicas tem benefícios e podem ser utilizadas conjuntamente para atingir o melhor resultado no controle da dor.
Se você tem dor crônica pela neuralgia pós-herpética consulte um médico especialista em dor ou entre em contato para mais informações
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Médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo com residência médica em Neurocirurgia na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e especialização em Neurocirurgia Funcional, voltado no tratamento de Distúrbios do Movimento (como na Doença de Parkinson, Distonia e Tremor Essêncial), tratamento da Dor Crônica e Espasticidade.
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