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O prolactinoma é um tumor benigno da hipófise que secreta prolactina em excesso. É o tipo mais comum entre os adenomas hipofisários funcionantes — responde por 40-50% deles. Acomete predominantemente mulheres em idade reprodutiva (20-40 anos), causando classicamente amenorreia (parada da menstruação), galactorreia (saída espontânea de leite) e infertilidade. Em homens, manifesta-se geralmente por disfunção erétil e redução da libido — frequentemente diagnosticado em fase mais avançada.
A grande maioria dos prolactinomas — incluindo a maioria dos macroprolactinomas — responde excelentemente ao tratamento medicamentoso com Cabergolina (agonista dopaminérgico), considerado a primeira linha terapêutica. A cirurgia transesfenoidal endoscópica é reservada para casos refratários, intolerância ao medicamento ou situações específicas. Esta página fornece informação detalhada sobre sintomas, diagnóstico e opções de tratamento. Para uma visão mais ampla do tema, leia o Guia Completo de Adenoma Hipofisário.
Em Resumo
O que é
Tumor benigno da hipófise que secreta prolactina em excesso. Mais comum dos adenomas funcionantes.
Tamanho
Microprolactinoma (<10mm) ou Macroprolactinoma (≥10mm). Macroprolactinoma gigante: ≥40mm.
Em mulheres
Amenorreia, galactorreia, infertilidade, redução da libido. Pico 20-40 anos.
Em homens
Disfunção erétil, redução da libido, infertilidade, ginecomastia. Diagnóstico geralmente tardio.
Diagnóstico
Dosagem de prolactina + RM com protocolo de sela turca. Excluir causas secundárias.
Tratamento
1ª linha: Cabergolina (agonista dopaminérgico). Cirurgia em casos refratários.
Eficácia da Cabergolina
Normaliza prolactina em ~90% e reduz tumor em 80-90% dos casos.
Fertilidade
Tratamento adequado restaura a ovulação e a fertilidade na grande maioria dos casos.
A prolactina é um hormônio produzido pelas células lactotrofas da adeno-hipófise (hipófise anterior). Sua principal função é estimular a produção de leite materno durante o pós-parto, mas também participa de outras funções fisiológicas. A prolactina está normalmente sob inibição contínua pela dopamina produzida no hipotálamo — esse controle dopaminérgico é o alvo do tratamento farmacológico do prolactinoma.
O prolactinoma é o adenoma hipofisário em que as células lactotrofas se proliferam de forma anormal e secretam prolactina em quantidades suprafisiológicas. O excesso de prolactina inibe o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (suprime GnRH, LH e FSH), causando hipogonadismo, infertilidade e os sintomas clássicos. Em macroprolactinomas, soma-se o efeito de massa sobre estruturas adjacentes.
Antes de assumir o diagnóstico de prolactinoma, é fundamental excluir outras causas de elevação da prolactina:
Fisiológicas
Gestação, lactação, estresse intenso, atividade sexual, sono.
Medicações
Antipsicóticos (risperidona, haloperidol), metoclopramida, antidepressivos, opioides, estrogênios, anti-hipertensivos.
Hipotireoidismo Primário
TSH elevado estimula a produção de prolactina (TRH eleva PRL). Reverter com levotiroxina.
Insuficiência Renal Crônica
Redução da depuração da prolactina. Diagnóstico por creatinina e ureia.
Doença Hepática
Cirrose pode elevar prolactina por redução de metabolismo e aumento de estrogênios.
Pseudoprolactinoma
Outro tumor selar (não-funcionante) que comprime o pedículo hipofisário e impede a chegada da dopamina. PRL elevada moderadamente.
Prolactinoma
Tumor primário das células lactotrofas. PRL geralmente proporcional ao tamanho do tumor.
Idiopática
Após exclusão das demais causas, sem identificação de tumor em RM. Acompanhamento.
Regra prática útil: em geral, prolactinomas têm prolactina proporcional ao tamanho do tumor. Microprolactinomas costumam ter PRL entre 100-250 ng/mL. Macroprolactinomas têm PRL geralmente acima de 250 ng/mL, frequentemente acima de 500 ng/mL. Tumores selares grandes com PRL apenas moderadamente elevada (50-150 ng/mL) sugerem pseudoprolactinoma (tumor não funcionante comprimindo o pedículo) — diagnóstico diferencial importante porque o tratamento é diferente.
O prolactinoma é o adenoma hipofisário funcionante mais comum — responde por aproximadamente 40-50% dos casos. Sua prevalência estimada é de cerca de 0,5 casos por 1.000 mulheres em idade reprodutiva. Apresenta padrões epidemiológicos distintos entre sexos:
3-5x mais frequente
Diagnóstico tardio
Os sintomas do prolactinoma decorrem de dois mecanismos: excesso de prolactina (com supressão do eixo gonadal) e, em macroprolactinomas, efeito de massa sobre estruturas adjacentes (quiasma óptico, hipófise normal, seios cavernosos):
Amenorreia
Parada da menstruação por mais de 3 ciclos (em mulher previamente regular). Sintoma cardinal.
Galactorreia
Saída espontânea ou após estímulo de leite ou secreção láctea fora do período de pós-parto.
Infertilidade
Dificuldade para engravidar por inibição da ovulação. Frequente motivo de procura ao médico.
Oligomenorreia
Ciclos menstruais espaçados (intervalo > 35 dias) — forma menos grave do hipogonadismo.
Redução da Libido
Diminuição do desejo sexual. Pode estar associada a secura vaginal e dispareunia.
Osteoporose Precoce
Hipogonadismo prolongado leva a perda de massa óssea — risco aumentado de fraturas.
Disfunção Erétil
Frequentemente atribuída a estresse ou envelhecimento. Pode ser primeira manifestação.
Redução da Libido
Diminuição do desejo sexual frequentemente precoce e progressiva.
Infertilidade
Por inibição da espermatogênese — reversível com tratamento adequado.
Ginecomastia
Crescimento do tecido mamário. Frequentemente bilateral, pode estar associada a sensibilidade local.
Atrofia Testicular
Redução do volume testicular por hipogonadismo prolongado.
Galactorreia (rara)
Saída de secreção mamária — mais rara em homens que em mulheres, mas pode ocorrer.
Efeito de massa em tumores ≥10mm
Emergência Neurocirúrgica
A apoplexia hipofisária é uma hemorragia ou necrose súbita dentro do tumor, gerando aumento brusco de volume e insuficiência adrenal aguda. Sintomas típicos:
Pronto-socorro hospitalar imediato. Frequentemente exige reposição urgente de hidrocortisona endovenosa e avaliação para cirurgia transesfenoidal de descompressão.
O diagnóstico do prolactinoma combina dosagem da prolactina sérica (com exclusão de causas secundárias) e imagem da hipófise:
A prolactina deve ser dosada em jejum matinal, preferencialmente em condições basais (sem estresse físico, sem manipulação mamária recente, sem atividade sexual recente). Valores de referência aproximados:
Armadilha 1
Em macroprolactinomas gigantes, prolactina extremamente alta pode "saturar" o teste laboratorial e ser reportada falsamente como normal ou levemente elevada. Solução: diluir a amostra (1:100) — revela o valor real.
Armadilha 2
Forma biologicamente inativa da prolactina (complexada com imunoglobulinas). Eleva o valor laboratorial mas não causa sintomas. Investigada com precipitação por polietilenoglicol (PEG) quando há discrepância entre PRL elevada e ausência de sintomas.
Armadilha 3
Adenoma não funcionante grande que comprime o pedículo hipofisário, impedindo a chegada de dopamina. PRL elevada apenas moderadamente (50-150 ng/mL) com tumor grande. Não responde bem à Cabergolina — o tratamento é cirúrgico.
Armadilha 4
Medicações antipsicóticas (risperidona, haloperidol) podem elevar PRL para níveis até 200 ng/mL. Histórico medicamentoso completo é essencial antes de assumir prolactinoma.
Diferentemente da maioria dos outros adenomas hipofisários funcionantes (em que a cirurgia é a primeira escolha), o prolactinoma tem tratamento medicamentoso como primeira linha. Os agonistas dopaminérgicos são extremamente eficazes — normalizam a prolactina e reduzem o tamanho do tumor em mais de 80-90% dos casos:
Tratamento de escolha — eficaz e bem tolerada
A Cabergolina é um agonista dopaminérgico de ação prolongada — atua como a dopamina, suprimindo a produção de prolactina e induzindo redução tumoral. Esquema padrão:
Alternativa válida em casos específicos
A bromocriptina é o agonista dopaminérgico mais antigo. É menos potente que a cabergolina e tem mais efeitos colaterais, mas tem maior experiência de uso na gestação:
Náuseas e Vômitos
Mais frequentes no início do tratamento. Tomar com alimentos e antes de dormir minimiza.
Hipotensão Postural
Tontura ao levantar. Levantar-se devagar e manter hidratação adequada.
Cefaleia
Frequente no início, geralmente leve a moderada. Tende a melhorar com tempo.
Sonolência
Por isso administração noturna preferida. Atenção ao dirigir nas primeiras semanas.
Distúrbios de Impulso
Raro: ludopatia, compras compulsivas, hipersexualidade. Comunicar ao médico imediatamente.
Valvopatia Cardíaca
Raro em doses usadas para prolactinoma. Avaliação ecocardiográfica em pacientes com doses altas crônicas.
2ª linha em prolactinoma
Em prolactinomas, a cirurgia transesfenoidal endoscópica é indicação seletiva — reservada para casos em que o tratamento medicamentoso falha, é mal tolerado ou inadequado:
Resultados em centros especializados: cura cirúrgica em 70-90% em microadenomas e 30-50% em macroadenomas bem indicados. Saiba mais sobre Adenoma Hipofisário e Cirurgia Transesfenoidal.
Cabergolina ou bromocriptina geralmente suspensas no início da gestação. Acompanhamento clínico mensal (sintomas neurológicos). Em macroprolactinomas, campimetria visual seriada. RM apenas se sintomas. Amamentação possível em microprolactinomas.
O tratamento adequado do prolactinoma restaura a ovulação na maioria das mulheres e a espermatogênese em homens. Frequentemente permite gestação natural sem necessidade de técnicas de reprodução assistida.
Após pelo menos 2-3 anos de tratamento com prolactina normal e tumor não visível ou muito reduzido em RM, pode-se tentar suspensão gradual. Cerca de 20-30% mantêm remissão. Monitorar PRL a cada 3-6 meses.
Definida como falha em normalizar PRL ou reduzir tumor com dose ≥2 mg/semana. Ocorre em ~10-20%. Opções: trocar para bromocriptina, aumentar dose com monitorização, cirurgia transesfenoidal, radiocirurgia.
Importante: o tratamento do prolactinoma exige acompanhamento multidisciplinar com endocrinologista (manejo medicamentoso, suspensão), neurocirurgião (avaliação cirúrgica, casos refratários) e neuro-oftalmologista (em macroprolactinomas, avaliação do campo visual). A escolha entre Cabergolina, cirurgia e radiocirurgia é altamente individualizada — considera tamanho do tumor, sintomas, idade, planejamento reprodutivo e preferências do paciente.
Respostas diretas às dúvidas mais comuns de pacientes diagnosticados com prolactinoma.
Em centros especializados, a cura cirúrgica chega a 70-90% em microadenomas. Saiba mais sobre cirurgia transesfenoidal endoscópica.
Dr. Wilson Morikawa Jr.
Neurocirurgião — CRM-SP 163.410 · RQE 101.438
Estágio em Neurooncologia — Universidade de Tsukuba (Japão)
Para avaliação especializada de prolactinoma — segunda opinião sobre diagnóstico, decisão entre tratamento medicamentoso e cirúrgico, ou casos refratários à Cabergolina — agende uma consulta. Teleconsulta disponível para pacientes de outras cidades. Para visão mais ampla do tema, leia também: