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Dr. Wilson Morikawa Jr.

Hemorragia Subaracnóidea (HSA): Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Hemorragia subaracnóidea (HSA) é o sangramento no espaço subaracnóideo — a fina camada entre o cérebro e as membranas que o revestem, por onde circula o líquido cefalorraquidiano. É uma emergência neurológica gravíssima, com mortalidade global entre 30% e 50%. O sinal cardinal é uma cefaleia súbita e intensa, descrita como "a pior dor de cabeça da vida" (thunderclap headache) — quadro que exige pronto-socorro imediato.

Cerca de 85% dos casos de HSA espontânea são causados pela rotura de um aneurisma cerebral. Os 15% restantes têm outras causas — trauma, malformação arteriovenosa (MAV), coagulopatias, uso de drogas simpaticomiméticas, arterites. A incidência é de 6 a 9 casos por 100.000 habitantes/ano, com predomínio no sexo feminino (proporção 1,6:1) e pico entre 40 e 60 anos.

A gravidade tem duas dimensões: a hemorragia inicial em si (que pode ser fatal antes mesmo da chegada ao hospital) e as complicações secundárias — ressangramento, vasoespasmo cerebral, hidrocefalia e complicações sistêmicas. O tratamento moderno é multidisciplinar e envolve estabilização em UTI, tratamento definitivo do aneurisma nas primeiras 24-72 horas (clipagem microcirúrgica ou embolização endovascular) e prevenção rigorosa das complicações. Este guia integra o cluster de Doenças Vasculares Cerebrais e complementa o guia sobre Aneurisma Cerebral Não Roto.

Em Resumo

O que é

Sangramento no espaço subaracnóideo — entre o cérebro e as meninges. Emergência neurológica gravíssima.

Causa principal

85% por rotura de aneurisma cerebral. Outros 15%: trauma, MAV, coagulopatias, drogas.

Sinal cardinal

Cefaleia súbita "pior da vida" (thunderclap headache) + rigidez de nuca, náuseas, fotofobia, alteração de consciência.

Mortalidade global

30 a 50%. Cerca de 10-15% morrem antes de chegar ao hospital.

Diagnóstico

Tomografia sem contraste (padrão-ouro nas primeiras 6h) + punção lombar se necessário + angiografia digital para localizar o aneurisma.

Escalas de gravidade

Hunt-Hess e WFNS (clínica) + Fisher (tomografia). Orientam prognóstico e conduta.

Tratamento definitivo

Clipagem microcirúrgica ou embolização endovascular do aneurisma — idealmente nas primeiras 24-72 horas.

Complicações principais

Ressangramento (0-14 dias), vasoespasmo (4-14 dias, pico 7-10), hidrocefalia, hiponatremia.

Prevenção vasoespasmo

Nimodipino 60mg via oral a cada 4 horas por 21 dias — padrão universal.

Prognóstico

Cerca de 1/3 dos sobreviventes recupera plenamente, 1/3 fica com sequelas, 1/3 não sobrevive.

O que é a hemorragia subaracnóidea — anatomia

O cérebro é envolvido por três membranas chamadas meninges: a dura-máter (mais externa e rígida), a aracnoide (média, delicada como uma teia de aranha) e a pia-máter (interna, aderida diretamente ao cérebro). Entre a aracnoide e a pia-máter existe um espaço muito importante — o espaço subaracnóideo — por onde circula o líquido cefalorraquidiano (LCR) e passam as principais artérias e veias cerebrais.

Quando uma dessas artérias se rompe — mais comumente por um aneurisma que estava silencioso — o sangue extravasa para esse espaço, se misturando ao LCR e se espalhando pelas cisternas basais e sulcos cerebrais. É essa irrupção súbita do sangue arterial em alta pressão que gera a cefaleia explosiva característica, a irritação meníngea (rigidez de nuca) e todo o quadro clínico da HSA.

Por que a localização importa tanto: como o sangramento é arterial (alta pressão) e ocorre em um espaço não expansivo (o crânio é uma caixa fechada), a HSA aumenta subitamente a pressão intracraniana, pode obstruir a circulação do LCR (gerando hidrocefalia) e — se volumosa — comprime estruturas cerebrais vitais.

Causas — o que provoca a HSA

A distinção entre HSA traumática e espontânea é crucial. Este guia foca na HSA espontânea — a que ocorre sem trauma prévio. Nela, a causa é quase sempre vascular:

Rotura de Aneurisma

85%

Causa esmagadora. A parede fina do aneurisma cede à pressão arterial e o sangue vaza. Mais comum no polígono de Willis (base do cérebro).

Malformação Arteriovenosa (MAV)

Segunda causa em jovens. Novelo de vasos anômalos que pode romper. Veja o guia sobre MAV cerebral.

Perimesencefálica Não-Aneurismática

Sangramento restrito às cisternas ao redor do mesencéfalo, angiografia negativa. Prognóstico muito melhor — quadro mais benigno.

Outras Causas Vasculares

Fístulas arteriovenosas durais, dissecção arterial, vasculites, angiopatia amiloide (idosos), tumores vasculares raros.

Coagulopatias e Drogas

Uso de anticoagulantes descontrolado, distúrbios hematológicos, cocaína, anfetaminas — picos hipertensivos que rompem vasos.

Fatores de Risco Modificáveis

Os mesmos do aneurisma: hipertensão, tabagismo, álcool excessivo, drogas estimulantes. Controlar reduz risco de HSA.

Sintomas — reconhecer para salvar vidas

A HSA aneurismática tem um padrão clínico tão característico que reconhecer o quadro é essencial para o desfecho — cada hora sem diagnóstico aumenta o risco de ressangramento. Os sintomas cardinais:

1

Cefaleia Súbita "Pior da Vida" — Thunderclap Headache

Sintoma patognomônico. Cefaleia que atinge intensidade máxima em segundos a poucos minutos — não é dor progressiva. Descrita como "raio na cabeça" ou "pior dor de cabeça da vida". Localização variável (frontal, occipital, difusa). Presente em mais de 95% dos pacientes conscientes.

2

Perda ou Alteração de Consciência

Cerca de 40% dos pacientes apresentam síncope inicial ao romper. Pode ser rebaixamento transitório ou coma prolongado. Nível de consciência inicial é o melhor preditor de prognóstico — base da escala Hunt-Hess.

3

Irritação Meníngea

Rigidez de nuca (dor ao flexionar o pescoço), fotofobia (intolerância à luz), náuseas e vômitos. Aparece nas primeiras horas — o sangue no espaço subaracnóideo irrita as meninges. Sinais de Kernig e Brudzinski podem estar presentes.

4

Déficit Neurológico Focal

Fraqueza em um lado, alteração de fala, alterações visuais, paralisia do III nervo craniano (ptose, midríase, oftalmoplegia — clássico do aneurisma da artéria comunicante posterior). Convulsões ocorrem em cerca de 10% dos casos.

5

Cefaleia Sentinela (Warning Leak)

Em 10 a 40% dos pacientes, dias ou semanas antes da HSA franca ocorre uma cefaleia atípica, súbita, mais forte que o habitual — o "vazamento sentinela" do aneurisma. Reconhecer esse sinal e investigar precocemente pode salvar vidas.

Emergência Absoluta — Cada Hora Conta

Quando procurar pronto-socorro imediatamente

HSA suspeita = ambulância ou pronto-socorro sem demora. O risco de ressangramento nas primeiras 24 horas é de 4 a 14% — cada ressangramento praticamente dobra a mortalidade. Sinais imperativos:

  • Cefaleia súbita muito intensa — "a pior da vida" ou "raio na cabeça"
  • Perda de consciência — mesmo que transitória, associada a cefaleia
  • Cefaleia + rigidez de nuca + vômitos
  • Cefaleia + déficit neurológico (fraqueza, alteração de fala, alteração visual)
  • Convulsão em paciente sem histórico prévio de epilepsia
  • Cefaleia intensa em portador conhecido de aneurisma — presumir rotura

Não espere passar. Não medique em casa. Cada hora perdida aumenta a mortalidade.

Diagnóstico — sequência rápida no pronto-socorro

O diagnóstico da HSA segue uma sequência rigorosa e rápida — a suspeita clínica precisa ser confirmada em minutos a poucas horas para permitir o tratamento definitivo do aneurisma antes que ocorra ressangramento:

1. Tomografia Computadorizada (TC) sem contraste — Padrão-Ouro

Exame de primeira linha. Sangue aparece hiperdenso (branco) nas cisternas basais, sulcos corticais e ventrículos. Sensibilidade excelente nas primeiras 6 horas — próxima de 100% em equipamento moderno. Após 24-48 horas, a sensibilidade cai (o sangue começa a ser reabsorvido) — nesse cenário, entra em cena a punção lombar.

2. Punção Lombar

Indicada quando TC é negativa mas a suspeita clínica é forte (especialmente HSA de apresentação tardia). Coleta-se LCR e observa:

  • LCR sanguinolento nos 4 tubos (não clareia entre tubos) — sugere HSA
  • Xantocromia — coloração amarelada do sobrenadante após centrifugação, causada pela degradação da hemoglobina. Aparece 12 horas após o sangramento, sensibilidade próxima de 100% até 2 semanas depois
  • LCR limpo em ambos os cenários exclui HSA com alta probabilidade

3. Angio-TC — Localização do Aneurisma

Após confirmar HSA, o próximo passo é identificar a fonte do sangramento. A angio-TC é rápida, sensível para aneurismas ≥3mm e frequentemente já orienta o planejamento inicial do tratamento.

4. Angiografia Digital (DSA) — Padrão-Ouro Definitivo

Exame invasivo por cateter arterial. Mapeia com detalhe cirúrgico o aneurisma, artérias parentais, colo, presença de aneurismas múltiplos (10-15% dos casos), circulação colateral. Essencial antes de qualquer tratamento definitivo. Quando a primeira DSA é negativa, muitas vezes repete-se em 7-14 dias — em alguns casos, o aneurisma se trombosou temporariamente após a rotura.

Escalas de gravidade — Hunt-Hess, WFNS e Fisher

A gravidade da HSA é classificada por escalas padronizadas — clínicas (Hunt-Hess e WFNS) e radiológica (Fisher). Definem prognóstico e orientam intensidade do tratamento:

Escala Hunt-Hess — clínica clássica (1968)

Grau Apresentação Clínica Mortalidade
I Assintomático ou cefaleia leve, rigidez de nuca discreta ~ 5%
II Cefaleia moderada-severa, rigidez nucal, sem déficit focal (exceto paralisia de nervo craniano) ~ 10%
III Sonolência, confusão, déficit focal leve ~ 30%
IV Torpor, hemiparesia moderada-grave, sinais de descerebração precoce ~ 60%
V Coma profundo, descerebração, aparência moribunda ~ 90%

Escala WFNS — Federação Mundial de Neurocirurgia

Baseada na Escala de Coma de Glasgow (GCS) + presença ou não de déficit motor. Mais objetiva que Hunt-Hess:

Grau Glasgow Déficit Motor
I15Ausente
II13–14Ausente
III13–14Presente
IV7–12Presente ou ausente
V3–6Presente ou ausente

Escala Fisher — radiológica (na tomografia)

Avalia a quantidade e distribuição de sangue na TC inicial. Preditor forte de risco de vasoespasmo:

Grau Achado na TC Risco de Vasoespasmo
1Sem sangue detectávelBaixo
2Fina camada difusa (< 1 mm)Baixo
3Espessa camada localizada ou difusa (≥ 1 mm)Alto
4Hematoma intraparenquimatoso ou intraventricular + HSAModerado-Alto

Tratamento agudo — estabilização e manejo em UTI

O tratamento da HSA é multidisciplinar — envolve neurocirurgia, neurorradiologia intervencionista, neurointensivismo e enfermagem especializada. Realizado em UTI neurológica. Objetivos iniciais:

Controle Pressórico

Meta PA sistólica < 140-160 mmHg até tratamento definitivo do aneurisma. Reduz risco de ressangramento.

Nimodipino

60 mg via oral (ou sonda) a cada 4 horas por 21 dias. Padrão universal — reduz morbimortalidade por vasoespasmo.

Analgesia + Sedação Leve

Controle rigoroso da dor, ansiedade e agitação — evita picos hipertensivos.

Drenagem Ventricular Externa

DVE quando há hidrocefalia aguda — alivia a pressão intracraniana rapidamente.

Manejo Eletrolítico

Vigilância rigorosa de sódio — hiponatremia é complicação frequente (CSW ou SIADH).

Anti-convulsivante

Profilático em casos selecionados (HSA cortical, hematoma parenquimatoso) ou terapêutico se convulsão.

Tratamento definitivo — obliterar o aneurisma

O tratamento definitivo deve ser realizado o mais precocemente possível — idealmente nas primeiras 24 a 72 horas — para prevenir ressangramento (a complicação de maior mortalidade). Duas modalidades:

Cirurgia Aberta

Clipagem Microcirúrgica

Craniotomia com auxílio de microscópio cirúrgico. Um clipe metálico especial é posicionado no colo do aneurisma, isolando-o da circulação de forma permanente. Permite também evacuar hematoma associado — vantagem importante em HSA volumosa com efeito de massa.

Indicação preferencial: aneurismas de ACM, aneurismas com hematoma intraparenquimatoso associado, formatos complexos com colo largo, pacientes jovens com boa condição clínica.
Via Endovascular

Embolização Endovascular

Via cateter arterial (femoral ou radial), preenchimento do aneurisma com coils (molas de platina). Em casos complexos, uso adicional de stent ou desviador de fluxo. Menos invasiva, recuperação mais rápida.

Indicação preferencial: aneurismas da circulação posterior, pacientes idosos ou com comorbidades, pacientes em condição clínica ruim (Hunt-Hess IV-V) onde a cirurgia aberta seria mais arriscada.

Complicações — o que acontece nas primeiras 3 semanas

Mesmo após o tratamento definitivo do aneurisma, o paciente com HSA continua em risco de complicações graves por várias semanas. Reconhecer e manejar cada uma delas é o que separa desfechos bons de ruins:

1. Ressangramento

0–14 DIAS

Complicação mais mortal

Risco máximo nas primeiras 24 horas4 a 14% nesse período. Sem tratamento, cerca de 50% ressangram em 6 meses. Mortalidade praticamente dobra a cada ressangramento.

Prevenção: tratamento definitivo do aneurisma nas primeiras 24-72h + controle pressórico rigoroso.

2. Vasoespasmo Cerebral

PICO 7–10 DIAS

Estreitamento arterial → isquemia

Ocorre em 30 a 50% dos pacientes entre o 4º e o 14º dia. O sangue no espaço subaracnóideo induz espasmo das artérias, gerando isquemia cerebral secundária — pode causar AVC isquêmico grave.

Prevenção/tratamento: nimodipino profilático por 21 dias; terapia hemodinâmica (normovolemia + hipertensão induzida); em casos refratários, angioplastia ou infusão intra-arterial de vasodilatadores.

Monitorização: Doppler transcraniano diário + angio-TC ou DSA quando suspeita.

3. Hidrocefalia

Obstrução da drenagem do LCR

Aguda em 15-30% (dias iniciais) — sangue obstrui os aquedutos e granulações. Pode evoluir para hidrocefalia crônica em 10-20% dos sobreviventes.

Tratamento: aguda → drenagem ventricular externa (DVE); crônica → derivação ventrículo-peritoneal (DVP) ou terceiro-ventriculostomia endoscópica.

4. Hiponatremia

Distúrbio eletrolítico frequente

Presente em até 30% dos casos. Duas causas principais: Síndrome Perdedora de Sal Cerebral (CSW) — a mais comum na HSA — e SIADH. Diferenciação essencial porque o tratamento é oposto (reposição volêmica vs restrição hídrica).

Monitorização: sódio sérico, osmolaridade urinária e sérica, balanço hídrico diário.

5. Convulsões

Presentes em ~10% dos casos. Profilaxia sistemática é controversa; anti-convulsivante indicado se episódio ocorrer ou em fatores de risco (HSA cortical, hematoma parenquimatoso, aneurisma de ACM).

6. Complicações Sistêmicas

Cardiomiopatia neurogênica (Takotsubo), arritmias, edema pulmonar neurogênico, TEP, infecções nosocomiais. Manejo em UTI com equipe multiprofissional.

Prognóstico — o que esperar

Apesar dos avanços terapêuticos, a HSA continua sendo uma das condições mais graves em neurocirurgia. Cerca de um terço dos pacientes recupera plenamente, um terço fica com sequelas relevantes e um terço não sobrevive — regra clássica que resume o desfecho global:

Mortalidade Global

30 a 50%. Cerca de 10-15% morrem antes de chegar ao hospital.

Sobreviventes com Sequelas

Cerca de 1/3 — sequelas neurológicas motoras, cognitivas ou sensoriais.

Recuperação Plena

Cerca de 1/3 — retorna à vida normal ou com sequelas mínimas.

Melhor Preditor

Nível de consciência inicial (Hunt-Hess/WFNS) é o fator prognóstico isolado mais importante.

Recuperação a longo prazo: mesmo com desfecho considerado "bom", muitos sobreviventes convivem com déficits cognitivos sutis (memória, concentração, funções executivas), fadiga crônica e distúrbios do humor. Reabilitação neurológica multidisciplinar por meses a anos é regra, não exceção.

Perguntas frequentes sobre HSA

O que é HSA e por que é tão grave?

Hemorragia subaracnóidea (HSA) é o sangramento no espaço subaracnóideo — a fina camada entre o cérebro e as meninges, por onde circula o líquido cefalorraquidiano. Em 85% dos casos espontâneos, ocorre pela rotura de um aneurisma cerebral. É gravíssima porque o sangramento é arterial (alta pressão), ocorre em espaço não expansivo (crânio fechado) e desencadeia uma cascata de complicações — ressangramento, vasoespasmo, hidrocefalia — que se estendem por semanas.

Como diferenciar uma cefaleia comum de uma HSA?

A cefaleia da HSA tem três características distintivas:

  • Súbita — atinge intensidade máxima em segundos a poucos minutos (não é dor progressiva)
  • Extremamente intensa — descrita como "a pior dor de cabeça da vida" ou "raio na cabeça"
  • Sinais associados — rigidez de nuca, náuseas, vômitos, fotofobia, alteração de consciência

Qualquer cefaleia com essas três características é emergência — pronto-socorro imediato, sem espera.

O que é o vasoespasmo e por que é tão temido?

Vasoespasmo é o estreitamento das artérias cerebrais desencadeado pela presença de sangue no espaço subaracnóideo. Ocorre em 30-50% dos pacientes com HSA, com pico entre o 7º e o 10º dia. O problema: o estreitamento reduz o fluxo cerebral e causa AVC isquêmico secundário — muitas vezes em pacientes que já haviam sobrevivido à hemorragia inicial. Por isso o paciente com HSA precisa ficar em UTI por 2-3 semanas — para vigilância diária desse risco. O nimodipino por 21 dias é intervenção fundamental na prevenção.

Clipagem ou embolização — qual é melhor na HSA?

Depende do caso. Nenhuma é universalmente superior.

Embolização é geralmente preferida em: aneurismas da circulação posterior, pacientes idosos ou em condição clínica ruim (Hunt-Hess IV-V), aneurismas com colo estreito favorável a coils.

Clipagem é preferida em: aneurismas da ACM, aneurismas com hematoma associado que precisa ser evacuado, formatos complexos com colo largo, pacientes jovens em boa condição. A decisão é tomada em equipe multidisciplinar (neurocirurgia + neurorradiologia intervencionista) baseada na anatomia individual e nas condições clínicas.

Se tiver HSA, quanto tempo fico internado?

Internação típica: 2 a 4 semanas em UTI + enfermaria. As primeiras 48-72 horas envolvem estabilização e tratamento definitivo do aneurisma. As 2 semanas seguintes são para vigilância do vasoespasmo — pico entre o 7º e o 10º dia. Após alta, seguimento ambulatorial com neurocirurgião + neurologista + reabilitação (fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, neuropsicologia) — frequentemente por meses.

Cefaleia sentinela — o que é e por que importa?

A cefaleia sentinela é uma dor de cabeça atípica, súbita, mais forte que o habitual, que ocorre dias a semanas antes de uma HSA maior — em 10 a 40% dos pacientes que depois rompem. Representa um pequeno vazamento do aneurisma antes da rotura franca. Reconhecer e investigar precocemente (com TC + eventual punção lombar) pode salvar vidas — permite tratar o aneurisma antes da hemorragia devastadora. Qualquer cefaleia atípica, mais forte que o habitual, mesmo que passe, merece avaliação médica sem demora.

HSA pode ser prevenida?

Sim, em cenários específicos. Se o aneurisma é diagnosticado antes da rotura (aneurisma incidental), a decisão de tratar ou observar segue os critérios do guia sobre aneurisma cerebral não roto. Além disso, controle rigoroso da hipertensão, cessação do tabagismo, redução do álcool e evitar drogas estimulantes reduzem significativamente o risco de rotura em portadores conhecidos. Rastreamento com angio-RM é recomendado em pacientes com 2 ou mais parentes de primeiro grau com histórico de HSA ou aneurisma.

Sobrevivi à HSA — como fica a vida daqui pra frente?

A recuperação é gradual e frequentemente longa. Muitos sobreviventes retomam vida praticamente normal, mas convivem com déficits sutis: fadiga crônica, alterações de memória e concentração, sensibilidade a ambientes ruidosos, distúrbios de humor. Reabilitação multidisciplinar (fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e principalmente neuropsicologia) por meses é essencial. Seguimento com neurocirurgião é vitalício — controle da PA, avaliação de novos aneurismas em pacientes com múltiplos, verificação de estabilidade do aneurisma tratado.

O plano de saúde cobre o tratamento?

Sim. Como emergência neurológica, o atendimento é obrigatoriamente coberto — internação em UTI, angio-TC, angiografia digital, clipagem microcirúrgica, embolização endovascular com coils/stents/desviadores de fluxo, drenagem ventricular externa, derivação ventrículo-peritoneal e reabilitação multidisciplinar são procedimentos previstos pela ANS. Materiais específicos de alta complexidade podem exigir documentação técnica adicional. O escritório auxilia no preparo da documentação clínica para o convênio.

Tratamento Especializado

Dr. Wilson Morikawa Jr.

Hemorragia Subaracnóidea
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Dr. Wilson Morikawa Jr. — Neurocirurgião

CRM-SP 163.410  ·  RQE 101.438

Manejo de HSA aneurismática em equipe multidisciplinar — neurocirurgia vascular, neurorradiologia intervencionista e neurointensivismo. Tratamento definitivo do aneurisma nas primeiras 24-72 horas por clipagem microcirúrgica ou embolização endovascular, seguido de vigilância rigorosa do vasoespasmo em UTI neurológica. Segunda opinião e teleconsulta disponíveis para orientação de familiares e pacientes recém-alta.


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