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Dor Crônica · Pós-Amputação
Sentir dor em uma perna ou em um braço que foi amputado é real, é frequente e tem explicação. Não é imaginação nem sinal de problema psicológico.
Em meta-análise de 39 estudos, com mais de 12 mil pessoas amputadas, a dor fantasma apareceu em 64%. Em cerca de quatro a cada dez dos que têm essa dor, a intensidade é descrita como forte.
O ponto de partida do tratamento é separar três coisas que costumam ser chamadas pelo mesmo nome: a sensação fantasma, a dor fantasma e a dor no coto. Cada uma tem causa diferente, e a dor no coto, em especial, muitas vezes tem um motivo local que pode ser corrigido. Esta página explica como distinguir as três, o que deve ser tentado primeiro e o que existe para os casos que não respondem.
Sinais de alerta
Dor nova, ou dor que mudou de padrão, pede exame do coto antes de qualquer tratamento de dor. Estes sinais indicam problema local, que tem solução própria. Procure a equipe que acompanha a amputação:
Infecção profunda e falta de circulação no coto evoluem rápido e podem exigir tratamento no mesmo dia. Quem amputou por doença vascular deve ter o mesmo cuidado com a outra perna: dor em repouso, pé frio ou ferida que não cicatriza. Vá ao pronto-socorro ou ligue 192.
Em Resumo
Leitura de 1 minuto01
Quase toda pessoa amputada continua sentindo o membro por algum tempo. Isso é esperado. O problema começa quando tudo é chamado de "dor fantasma" e tratado do mesmo jeito.
A impressão de que o membro ainda está lá: posição, peso, coceira, vontade de mexer os dedos. É quase universal e não precisa de tratamento. Com o tempo, muitos percebem o membro "encurtando" em direção ao coto.
Queimação, choque, câimbra ou aperto sentidos no pé ou na mão que não existe mais. Costuma vir em crises. Nasce de mudanças no nervo cortado, na medula e no cérebro, que continuam a representar o membro.
Localizada na extremidade do membro residual. Pode ser de nervo, mas com frequência vem de pele, osso, circulação ou do encaixe da prótese. É a que mais tem causa corrigível.
As duas dores frequentemente coexistem, e uma alimenta a outra: dor no coto é um dos fatores mais consistentemente associados à dor fantasma. Por isso tratar bem o coto é parte do tratamento da dor fantasma.
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O nervo que levava informação do pé ou da mão foi cortado, mas não desapareceu. A ponta seccionada tenta crescer de novo e pode formar um neuroma, um novelo de fibras que dispara sinais sem estímulo. Mais acima, o gânglio da raiz dorsal e a medula, privados da informação normal, passam a responder de forma exagerada. E no cérebro, a região que representava o membro continua ativa.
O dado que melhor sustenta essa explicação vem de quem nasceu sem um membro: nesses casos, a dor fantasma é rara, relatada entre 0% e 7% em três estudos pequenos. A dor depende de ter havido um nervo, e de esse nervo ter sido cortado.
Dor persistente no membro antes da amputação, dor no coto, amputação de membro inferior, nível mais alto de amputação e amputação por diabetes.
Mais de 60% dos que tinham dor antes da amputação relatam uma dor fantasma com as mesmas características da dor antiga. O sistema nervoso guarda o padrão.
03
O tratamento começa pelo coto e pela prótese: pele íntegra, encaixe revisado, causas locais afastadas. Em paralelo, reabilitação e uso regular da prótese, que em parte dos pacientes ajuda a reduzir a dor.
O paciente observa no espelho o reflexo do membro preservado se movendo, no lugar do amputado. A proposta é oferecer ao cérebro a informação visual que falta. Não tem risco e pode ser feita em casa, com orientação.
O limiteOs ensaios são pequenos e de resultado variável. Ajuda uma parte dos pacientes, e não há como prever quem.
Gabapentina, amitriptilina e, em situações selecionadas, opioides. São os mesmos usados em outras dores neuropáticas, ajustados em dose e tempo pelo médico que acompanha.
O limiteA revisão Cochrane de 2016 concluiu que a evidência é fraca: há sinal de benefício a curto prazo, mas faltam estudos de longo prazo.
Quando existe um ponto preciso no coto que, ao ser pressionado, reproduz o choque ou a dor fantasma, o neuroma é o suspeito. Ele pode ser confirmado por ultrassom ou ressonância, e tem tratamentos locais próprios, conduzidos pela equipe cirúrgica que acompanha a amputação. Vale investigar antes de considerar qualquer implante.
Quando a dor não cede
O gânglio da raiz dorsal é a estação por onde passa toda a sensibilidade de uma região do corpo antes de entrar na medula, e é um dos pontos em que o sinal anormal da dor fantasma é gerado. O eletrodo DRG é posicionado junto ao gânglio que correspondia ao membro amputado e modula esse sinal na origem.
O tratamento é feito em duas etapas. Primeiro um teste, com o eletrodo ligado a um gerador externo por alguns dias. Só segue para o implante definitivo quem teve alívio real nesse período.
Revisão de escopo que reuniu todos os casos publicados: 37 pacientes identificados, 25 com seguimento completo, alívio médio relatado de 59%.
A estimulação fica restrita à região do coto e do membro fantasma, sem espalhar para áreas vizinhas, e não muda com a posição do corpo.
São séries de casos pequenas, sem grupo controle. Não existe ensaio randomizado do DRG em dor fantasma, e os próprios autores da revisão pedem um. Quatro em cada dez não atingiram alívio de metade da dor. Os riscos são os de qualquer implante: infecção, deslocamento do eletrodo e necessidade de revisão.
O que você deve saber sobre o eletrodo DRG →
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Não existe garantia de alívio em dor fantasma. Existe uma sequência lógica, do mais simples ao mais invasivo, e expectativa combinada antes de cada passo. Desconfie de quem prometer mais do que isso.
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As dúvidas de quem passou por uma amputação e de quem cuida.
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Tratamento Especializado
Dr. Wilson Morikawa Jr. — Neurocirurgião
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Avaliação da dor que persiste após amputação, separando a dor fantasma da dor no coto e revisando o que já foi tentado antes de qualquer procedimento. Nos casos refratários, estimulação do gânglio da raiz dorsal, sempre com período de teste antes do implante. Segunda opinião e teleconsulta disponíveis para pacientes de outras cidades.
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