Dr. Wilson Morikawa Jr.

Neurocirurgião Especialista em Coluna

Espondilolistese — Causas, Graus e Tratamento Especializado

A espondilolistese é o deslizamento anterior de uma vértebra sobre a outra, geralmente na região lombar baixa (L4-L5 ou L5-S1). Pode causar dor lombar mecânica, ciatalgia, claudicação neurogênica e, em casos avançados, déficit neurológico — quando o deslizamento comprime as raízes nervosas que saem da coluna.

Existem 6 tipos de espondilolistese — sendo as mais comuns a ístmica (em jovens com defeito da pars articular) e a degenerativa (em mulheres acima dos 50 anos). O tratamento varia do conservador à cirurgia de artrodese vertebral, indicada em casos refratários ou com instabilidade progressiva.

Em Resumo

O que é

Deslizamento anterior de uma vértebra sobre a vértebra inferior — geralmente em L4-L5 ou L5-S1.

Tipos mais comuns

Ístmica (jovens, defeito da pars) e Degenerativa (mulheres 50+, perda discal).

Classificação

Meyerding em 5 graus (I a V) conforme % de deslizamento — Grau I (até 25%) ao V (espondiloptose).

Sintomas principais

Lombalgia mecânica, ciatalgia, claudicação neurogênica e parestesia em membros inferiores.

Diagnóstico

Radiografias dinâmicas em flexão/extensão (padrão), RM lombar e TC complementar.

Tratamento conservador

Maioria dos graus I e II responde a fisioterapia, medicação e ajustes posturais.

Tratamento cirúrgico

Artrodese (TLIF, PLIF, LLIF) com descompressão — em casos refratários ou com instabilidade.

Quando operar

Dor refratária >6 meses, déficit neurológico, claudicação importante, instabilidade progressiva.

O que é a Espondilolistese

A espondilolistese ocorre quando uma vértebra desliza para frente sobre a vértebra logo abaixo, gerando um desalinhamento da coluna. Esse desalinhamento pode ser sutil (apenas alguns milímetros) ou avançado (uma vértebra praticamente caindo sobre a outra).

As consequências clínicas dependem de três fatores: o grau do deslizamento, a velocidade de progressão e a presença de compressão neurológica associada — seja por estenose de canal, hipertrofia ligamentar ou estreitamento foraminal.

Diferença importante: a espondilólise é o defeito (fratura por estresse) na pars interarticularis, que pode evoluir para espondilolistese — mas nem sempre evolui. Já a espondilolistese é o deslizamento em si, que pode ter várias causas além da espondilólise.

Os 6 Tipos de Espondilolistese

A Classificação de Wiltse-Newman-Macnab divide a espondilolistese em 6 tipos conforme a causa. Os tipos II e III são responsáveis por mais de 80% dos casos:

Tipo II — Ístmica

MAIS COMUM EM JOVENS

Causada por defeito da pars interarticularis (espondilólise) — frequentemente uma fratura por estresse de repetição.

Perfil típico: jovens atletas (ginástica, ballet, futebol americano, levantamento de peso).

Tipo III — Degenerativa

MULHERES 50+

Causada por desgaste do disco e das facetas articulares, que perdem capacidade de manter o alinhamento vertebral.

Perfil típico: mulheres acima dos 50 anos. Localização preferencial em L4-L5. Frequentemente associada à estenose lombar.

Tipo I — Congênita

Por malformação da articulação L5-S1 presente desde o nascimento. O deslizamento pode aparecer já na infância ou adolescência.

Perfil típico: crianças e adolescentes, frequentemente associada a outras malformações.

Tipo IV — Traumática

Por fratura aguda de elementos posteriores da vértebra que não a pars interarticularis (rara).

Perfil típico: trauma de alta energia — acidentes automobilísticos, quedas de altura.

Tipo V — Patológica

Causada por doença óssea sistêmica que enfraquece estruturas vertebrais — tumores, osteogênese imperfeita, doença de Paget.

Perfil típico: variável conforme doença de base. Exige investigação ampla.

Tipo VI — Pós-cirúrgica

Surge após cirurgias prévias que removeram estruturas estabilizadoras (ex: laminectomia ampla sem artrodese).

Perfil típico: pacientes operados anos antes com técnicas que não preservaram estabilidade.

Graus de Meyerding — Quanto a Vértebra Deslizou?

A Classificação de Meyerding mede o deslizamento em 5 graus conforme a porcentagem de translação da vértebra superior sobre a inferior. Quanto maior o grau, maior a chance de instabilidade progressiva e indicação cirúrgica:

Grau I

0–25%

Leve. Maioria responde ao conservador.

Grau II

26–50%

Moderado. Conservador inicial, cirurgia em refratários.

Grau III

51–75%

Importante. Cirurgia frequentemente indicada.

Grau IV

76–100%

Grave. Cirurgia indicada na maioria dos casos.

Grau V

>100%

Espondiloptose. Vértebra caída — cirurgia complexa.

Sintomas da Espondilolistese

Os sintomas variam muito conforme o tipo, grau e idade do paciente. Casos leves podem ser assintomáticos por anos. Os 6 sintomas mais frequentes em casos sintomáticos:

Lombalgia Mecânica

Dor lombar que piora em pé, ao caminhar ou após esforço — e melhora ao sentar ou deitar.

Ciatalgia

Dor irradiada para a perna — quando há compressão da raiz nervosa pelo deslizamento.

Claudicação Neurogênica

Dor ao caminhar que melhora ao sentar — frequente em espondilolistese degenerativa com estenose associada.

Parestesia

Formigamento ou dormência em uma ou ambas as pernas, especialmente após caminhar.

Postura Antálgica

Tendência a manter o tronco levemente fletido — posição que abre o canal e alivia a dor.

Rigidez Lombar

Limitação de movimento — especialmente em extensão (jogar tronco para trás).

Sinais de Alerta — Avaliação Neurocirúrgica Urgente

Quando a Espondilolistese é Emergência

Os sintomas abaixo indicam compressão neurológica grave ou instabilidade progressiva — quadros que exigem avaliação especializada imediata:

  • Síndrome da cauda equina: perda de controle urinário ou intestinal, anestesia em sela.
  • Déficit motor progressivo: fraqueza importante de pé, dedo ou perna que piora rapidamente.
  • Progressão visível do deslizamento em radiografias seriadas — sinal de instabilidade.
  • Dor incontrolável que impede caminhar ou dormir, refratária a medicação otimizada.

Diagnóstico

O diagnóstico da espondilolistese é predominantemente radiológico, complementado pela avaliação clínica. Os exames essenciais:

Radiografias Dinâmicas

Exame fundamental. RX em perfil + flexão e extensão. Detecta instabilidade quando o deslizamento aumenta na flexão (>3-4mm).

Ressonância Magnética

Avalia disco intervertebral, raízes nervosas, edema ósseo e estenose associada. Essencial no pré-operatório.

Tomografia Computadorizada

Detalha anatomia óssea — fundamental para identificar defeito da pars (espondilólise) em tipo ístmico.

Cintilografia Óssea (SPECT)

Útil em jovens — identifica espondilólise ativa (fratura por estresse recente, ainda em fase de remodelação).

Tratamento da Espondilolistese

A escolha do tratamento depende do tipo, grau, idade do paciente, presença de sintomas neurológicos e resposta ao tratamento conservador. A abordagem é progressiva — do menos para o mais invasivo:

Nível 1 — Tratamento Conservador (1ª linha)

Indicado em graus I, II e início do III sem déficit neurológico

A maioria dos pacientes com espondilolistese leve-moderada melhora com tratamento clínico bem orientado, composto por:

  • Fisioterapia especializada — fortalecimento de core, estabilização lombar, alongamento, treino de propriocepção.
  • Medicação sintomática — anti-inflamatórios em crises, analgésicos, neuromoduladores em dor radicular.
  • Infiltrações guiadas — corticoide epidural, bloqueios facetários em casos selecionados.
  • Modificação de atividades — evitar hiperextensão e impacto axial repetido (em ístmica de jovens).
  • Atividade física adaptada — natação, hidroginástica e bicicleta são bem tolerados.

Nível 2 — Tratamento Cirúrgico

Indicações cirúrgicas claras

A cirurgia é considerada nas seguintes situações:

  • Dor lombar ou radicular refratária ao tratamento conservador por mais de 6 meses
  • Déficit neurológico progressivo — perda de força ou sensibilidade
  • Claudicação neurogênica que limita a qualidade de vida
  • Instabilidade progressiva documentada em radiografias seriadas
  • Espondilolistese de alto grau (III, IV ou V) sintomática
  • Síndrome da cauda equina (urgência)

Técnica Padrão

Artrodese Vertebral — Estabilização Definitiva da Coluna

A artrodese lombar é o procedimento cirúrgico padrão para espondilolistese sintomática. Combina descompressão neural (alívio da pressão sobre raízes/canal) com fusão das vértebras (estabilização permanente) — utilizando parafusos pediculares, hastes e enxerto ósseo.

Existem várias técnicas modernas de artrodese, escolhidas conforme anatomia, grau de deslizamento e perfil clínico:

TLIF

Transforaminal — acesso lateral

PLIF

Posterior — clássico

ALIF

Anterior — acesso pelo abdome

LLIF/XLIF

Lateral — minimamente invasivo

A escolha da técnica é individualizada — considerando anatomia, grau do deslizamento, presença de estenose, idade e perfil clínico do paciente.

Recuperação Pós-Operatória

  • Internação: 3 a 5 dias em artrodese com descompressão
  • Caminhada: a partir do 1º dia pós-operatório com orientação
  • Fisioterapia: início precoce, intensificada após 4-6 semanas
  • Retorno a atividades leves: 6 a 8 semanas
  • Consolidação óssea (fusão): 3 a 6 meses
  • Recuperação plena: 6 a 12 meses com reabilitação estruturada

Importante: a artrodese é um procedimento definitivo — fusiona dois segmentos da coluna, eliminando o movimento naquele nível. A indicação deve ser bem fundamentada: instabilidade demonstrada, falha do conservador, déficit neurológico ou prejuízo significativo da qualidade de vida. A avaliação neurocirúrgica especializada define a indicação e a melhor técnica para cada caso.

Perguntas Frequentes sobre Espondilolistese

Respostas diretas às dúvidas mais comuns de pacientes diagnosticados com espondilolistese.

Espondilolistese tem cura?
A espondilolistese não tem "cura" no sentido de o deslizamento voltar ao alinhamento original sozinho — uma vez que a vértebra desliza, ela permanece nessa posição. Mas tem tratamento muito eficaz: a maioria dos pacientes com graus I e II controla os sintomas com tratamento conservador (fisioterapia, medicação, infiltrações). Em casos refratários ou de alto grau, a artrodese estabiliza definitivamente a coluna, com alta taxa de melhora da dor e da funcionalidade.
Toda espondilolistese precisa de cirurgia?
Não. A maioria das espondilolisteses graus I e II responde ao tratamento conservador. A cirurgia é indicada quando há: dor refratária por mais de 6 meses, déficit neurológico progressivo, claudicação neurogênica importante, instabilidade documentada nas radiografias seriadas, ou espondilolistese de alto grau (III, IV ou V) sintomática. O grau isolado não define indicação cirúrgica — o que define é o impacto clínico e funcional.
Qual a diferença entre espondilólise e espondilolistese?
São condições relacionadas mas distintas:
  • Espondilólise: é o defeito (fratura por estresse) na pars interarticularis, sem que a vértebra tenha deslizado. Pode ser assintomática.
  • Espondilolistese: é o deslizamento de uma vértebra sobre a outra. Pode ter várias causas — uma delas é a espondilólise (tipo ístmica).

Resumindo: nem toda espondilólise vira espondilolistese, mas grande parte das espondilolisteses tipo II tem espondilólise como causa.

O que é artrodese e por que ela é necessária?
A artrodese é uma cirurgia que funde duas ou mais vértebras permanentemente, eliminando o movimento naquele segmento. Para isso, usa-se uma combinação de parafusos pediculares, hastes metálicas, espaçadores intervertebrais (cages) e enxerto ósseo. Em espondilolistese, a artrodese é necessária porque a instabilidade vertebral é a causa raiz do problema — apenas descomprimir os nervos sem estabilizar pode permitir progressão do deslizamento e recidiva dos sintomas.
Espondilolistese pode piorar com o tempo?
Pode, mas nem sempre piora. A progressão depende do tipo, idade do paciente e fatores mecânicos. Espondilolistese ístmica em adolescentes em crescimento tem maior risco de progressão e exige acompanhamento periódico. A degenerativa em idosos tende a estabilizar após certa idade — mas pode piorar se houver progressão da doença discal e facetária. A documentação seriada com radiografias dinâmicas é a melhor forma de monitorar instabilidade.
Quanto tempo dura a cirurgia de artrodese lombar?
A duração depende do número de níveis envolvidos e da técnica escolhida. Artrodese de 1 nível: 2 a 4 horas. Artrodese de 2 a 3 níveis: 4 a 6 horas. Casos complexos com correção de deformidade: podem ser mais longos. O tempo cirúrgico não define o sucesso — o que importa é a precisão técnica, a indicação correta e a equipe especializada.
Posso fazer atividade física com espondilolistese?
Sim, e deve. A atividade física orientada é parte do tratamento. Recomendações gerais:
  • Indicadas: natação, hidroginástica, bicicleta ergométrica, caminhada, Pilates terapêutico.
  • Com cautela: musculação (com orientação), corrida em superfície macia.
  • Evitar: hiperextensão lombar (ponte, levantamento olímpico inadequado), impacto axial em ístmica de jovens.

O fortalecimento de core (musculatura abdominal e paravertebral profunda) é o pilar do tratamento conservador.

O plano de saúde cobre artrodese lombar?
Sim. A artrodese lombar para espondilolistese sintomática está incluída no rol de procedimentos da ANS e é coberta pela maioria dos planos para indicações reconhecidas. A autorização exige laudo médico detalhado com a justificativa clínico-radiológica — histórico, falha do tratamento conservador documentada, exames de imagem e indicação técnica do procedimento. O escritório auxilia no preparo da documentação para o convênio.
Dr. Wilson Morikawa Jr. - Especialista em Espondilolistese

Tratamento Especializado

Espondilolistese
em São Paulo

Dr. Wilson Morikawa Jr. — Neurocirurgião
CRM-SP 163.410  ·  RQE 101.438

Avaliação especializada para diagnóstico preciso da espondilolistese (todos os tipos e graus) e plano de tratamento individualizado — do tratamento conservador otimizado às técnicas modernas de artrodese (TLIF, PLIF, LLIF) com descompressão neural. Revisão de exames e planejamento cirúrgico em centros de referência. Para visão completa do tema, leia o Guia Completo de Doenças da Coluna.

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