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A hérnia de disco cervical é o deslocamento do núcleo de um disco intervertebral do pescoço, comprimindo raízes nervosas que vão para os braços ou — em casos mais graves — comprimindo a própria medula espinhal. Como a coluna cervical abriga a medula que controla braços E pernas, as consequências podem ser neurologicamente mais sérias que as da hérnia lombar.
A boa notícia: a maioria dos casos melhora com tratamento conservador. Quando a cirurgia é indicada, técnicas modernas como ACDF (discectomia cervical anterior com fusão) e artroplastia cervical permitem descompressão segura, internação curta e retorno rápido às atividades. A avaliação por neurocirurgião é fundamental porque a janela de oportunidade para evitar sequelas em casos de mielopatia é estreita.
Em Resumo
O que é
Deslocamento do disco entre vértebras cervicais comprimindo raízes nervosas ou medula.
Sintoma Cardinal
Dor cervical que irradia para ombro, braço ou mão — pode vir com formigamento.
Diferença para Lombar
Pode comprimir a medula (mielopatia) — quadro mais sério que exige cirurgia precoce.
Diagnóstico
Clínico-radiológico: anamnese, exame neurológico e ressonância cervical.
Tratamento Inicial
Conservador: medicação, fisioterapia, bloqueios — resolve a maioria dos casos.
Tratamento Cirúrgico
ACDF, artroplastia cervical ou via posterior — escolha individualizada.
A coluna cervical é composta por 7 vértebras (C1 a C7), separadas por discos intervertebrais que funcionam como amortecedores naturais. Cada disco tem um núcleo gelatinoso (núcleo pulposo) cercado por um anel fibroso resistente. Quando o anel se rompe — por envelhecimento ou trauma — o núcleo extravasa para o canal vertebral, formando a hérnia de disco.
A diferença em relação à hérnia lombar é anatômica e clinicamente importante: na coluna cervical, o canal vertebral é mais estreito e abriga a medula espinhal (que vai do cérebro até L1-L2). Por isso, a compressão pode atingir não só uma raiz nervosa (gerando radiculopatia) como também a própria medula (gerando mielopatia cervical) — quadro neurológico mais sério.
Envelhecimento do disco
Desidratação progressiva — risco aumenta após os 40 anos.
Postura prolongada inadequada
"Tech neck" — uso excessivo de telas com pescoço fletido.
Trauma cervical
Acidentes automobilísticos (whiplash), quedas e esportes de contato.
Predisposição genética
Histórico familiar de doenças degenerativas da coluna.
Tabagismo
Acelera degeneração discal e dificulta cicatrização.
Atividade ocupacional
Carga sobre a cabeça ou vibração repetitiva.
Os sintomas variam conforme a localização da hérnia e se há compressão de raiz nervosa, medula ou ambos. Os 4 quadros mais frequentes:
Dor localizada no pescoço, frequentemente acompanhada de rigidez e limitação de movimento. Pode irradiar para a região superior do trapézio.
Dor que percorre o trajeto da raiz nervosa comprimida — ombro, braço, antebraço, mão ou dedos. É a chamada radiculopatia cervical.
Sensação de "agulhadas", queimação ou perda de sensibilidade no trajeto do nervo comprimido. Pode ser intermitente ou persistente.
Perda de força para segurar objetos, dificuldade de destreza fina (abotoar camisa, escrever) ou fraqueza ao elevar o braço.
Sinais que exigem avaliação neurocirúrgica em 24-48 horas
Quando a hérnia comprime a medula (não apenas a raiz), o quadro vira mielopatia cervical — emergência funcional. A cirurgia precoce evita sequelas permanentes. Procure atendimento imediatamente se apresentar:
Descoordenação ou alteração de marcha
Perda de destreza fina das mãos
Fraqueza progressiva em braços e/ou pernas
Alterações esfincterianas (urinárias, intestinais)
Sensação de choque ao flexionar o pescoço (sinal de Lhermitte)
Espasticidade ou aumento de reflexos
A mielopatia cervical pode evoluir para perda funcional permanente se não tratada em tempo adequado. A indicação cirúrgica nesses casos não é eletiva — é necessária.
O diagnóstico é clínico-radiológico — combina três pilares:
Importante: hérnia visível em ressonância NÃO significa, isoladamente, que haja doença sintomática. Mais de 30% dos adultos sem dor têm hérnia em ressonância. O diagnóstico só se confirma quando exame e história concordam com as imagens.
A grande maioria dos casos sem mielopatia melhora com tratamento clínico:
Medicação direcionada
Anti-inflamatórios, relaxantes musculares e neuromoduladores para dor neuropática.
Fisioterapia especializada
Tração cervical, mobilizações, fortalecimento e correção postural.
Infiltrações guiadas
Bloqueios cervicais guiados por imagem em casos selecionados.
Correção ergonômica
Adaptação do posto de trabalho, postura no uso de telas, sono adequado.
A cirurgia é indicada nas seguintes situações:
Falha do tratamento conservador após 6 a 12 semanas adequadas.
Mielopatia cervical — urgência cirúrgica para prevenir sequelas.
Déficit neurológico progressivo — perda de força ou sensibilidade.
Dor refratária e incapacitante que compromete vida pessoal e profissional.
As 3 técnicas mais utilizadas em hérnia cervical:
Discectomia Cervical Anterior com Fusão
Acesso pequeno na frente do pescoço, remoção completa do disco herniado e fusão com enxerto e placa. Técnica consolidada há décadas com taxa de sucesso acima de 90%.
Indicação: hérnia cervical refratária, mielopatia, radiculopatia persistente.
Substituição por disco artificial
Mesma via anterior da ACDF, mas em vez da fusão, é colocada uma prótese de disco que preserva o movimento. Indicação em casos selecionados em pacientes mais jovens.
Indicação: hérnias específicas em pacientes jovens, ativos, sem instabilidade.
Foraminotomia ou laminectomia
Acesso pelas costas para hérnias laterais com compressão de raiz isolada ou em estenoses multinível. Pode ser feita por técnica aberta ou minimamente invasiva.
Indicação: hérnias foraminais, estenose multinível, casos específicos.
Resultados: mais de 90% dos pacientes com radiculopatia bem indicada apresentam melhora significativa da dor e formigamento. Em mielopatia, a cirurgia precoce previne progressão e pode reverter parte dos sintomas neurológicos — quanto antes operada, melhor o prognóstico.
Respostas diretas às dúvidas mais comuns de pacientes diagnosticados com hérnia de disco cervical.
Tratamento Especializado
Dr. Wilson Morikawa Jr. — Neurocirurgião
CRM-SP 163.410 · RQE 101.438
Avaliação especializada para diagnóstico preciso e indicação cirúrgica individualizada — ACDF, artroplastia cervical ou descompressão posterior conforme o caso. Suspeita de mielopatia cervical exige avaliação em 24-48 horas. Para visão completa, leia o Guia Completo de Doenças da Coluna.
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