Dr. Wilson Morikawa Jr.

Hérnia de Disco Cervical: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

A hérnia de disco cervical é o deslocamento do núcleo de um disco intervertebral do pescoço, comprimindo raízes nervosas que vão para os braços ou — em casos mais graves — comprimindo a própria medula espinhal. Como a coluna cervical abriga a medula que controla braços E pernas, as consequências podem ser neurologicamente mais sérias que as da hérnia lombar.

A boa notícia: a maioria dos casos melhora com tratamento conservador. Quando a cirurgia é indicada, técnicas modernas como ACDF (discectomia cervical anterior com fusão) e artroplastia cervical permitem descompressão segura, internação curta e retorno rápido às atividades. A avaliação por neurocirurgião é fundamental porque a janela de oportunidade para evitar sequelas em casos de mielopatia é estreita.

Em Resumo

O que é

Deslocamento do disco entre vértebras cervicais comprimindo raízes nervosas ou medula.

Sintoma Cardinal

Dor cervical que irradia para ombro, braço ou mão — pode vir com formigamento.

Diferença para Lombar

Pode comprimir a medula (mielopatia) — quadro mais sério que exige cirurgia precoce.

Diagnóstico

Clínico-radiológico: anamnese, exame neurológico e ressonância cervical.

Tratamento Inicial

Conservador: medicação, fisioterapia, bloqueios — resolve a maioria dos casos.

Tratamento Cirúrgico

ACDF, artroplastia cervical ou via posterior — escolha individualizada.

O que é a Hérnia de Disco Cervical?

A coluna cervical é composta por 7 vértebras (C1 a C7), separadas por discos intervertebrais que funcionam como amortecedores naturais. Cada disco tem um núcleo gelatinoso (núcleo pulposo) cercado por um anel fibroso resistente. Quando o anel se rompe — por envelhecimento ou trauma — o núcleo extravasa para o canal vertebral, formando a hérnia de disco.

A diferença em relação à hérnia lombar é anatômica e clinicamente importante: na coluna cervical, o canal vertebral é mais estreito e abriga a medula espinhal (que vai do cérebro até L1-L2). Por isso, a compressão pode atingir não só uma raiz nervosa (gerando radiculopatia) como também a própria medula (gerando mielopatia cervical) — quadro neurológico mais sério.

Causas e Fatores de Risco

Envelhecimento do disco

Desidratação progressiva — risco aumenta após os 40 anos.

Postura prolongada inadequada

"Tech neck" — uso excessivo de telas com pescoço fletido.

Trauma cervical

Acidentes automobilísticos (whiplash), quedas e esportes de contato.

Predisposição genética

Histórico familiar de doenças degenerativas da coluna.

Tabagismo

Acelera degeneração discal e dificulta cicatrização.

Atividade ocupacional

Carga sobre a cabeça ou vibração repetitiva.

Sintomas — Como Reconhecer

Os sintomas variam conforme a localização da hérnia e se há compressão de raiz nervosa, medula ou ambos. Os 4 quadros mais frequentes:

1 Dor Cervical

Dor localizada no pescoço, frequentemente acompanhada de rigidez e limitação de movimento. Pode irradiar para a região superior do trapézio.

2 Dor Irradiada

Dor que percorre o trajeto da raiz nervosa comprimida — ombro, braço, antebraço, mão ou dedos. É a chamada radiculopatia cervical.

3 Formigamento e Dormência

Sensação de "agulhadas", queimação ou perda de sensibilidade no trajeto do nervo comprimido. Pode ser intermitente ou persistente.

4 Fraqueza Muscular

Perda de força para segurar objetos, dificuldade de destreza fina (abotoar camisa, escrever) ou fraqueza ao elevar o braço.

Mielopatia Cervical — Emergência Neurológica

Sinais que exigem avaliação neurocirúrgica em 24-48 horas

Quando a hérnia comprime a medula (não apenas a raiz), o quadro vira mielopatia cervical — emergência funcional. A cirurgia precoce evita sequelas permanentes. Procure atendimento imediatamente se apresentar:

Descoordenação ou alteração de marcha

Perda de destreza fina das mãos

Fraqueza progressiva em braços e/ou pernas

Alterações esfincterianas (urinárias, intestinais)

Sensação de choque ao flexionar o pescoço (sinal de Lhermitte)

Espasticidade ou aumento de reflexos

A mielopatia cervical pode evoluir para perda funcional permanente se não tratada em tempo adequado. A indicação cirúrgica nesses casos não é eletiva — é necessária.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico-radiológico — combina três pilares:

  1. Anamnese cuidadosa — caracterização da dor, irradiação, fatores agravantes, evolução temporal.
  2. Exame neurológico completo — força, sensibilidade, reflexos, testes de provocação (Spurling), avaliação de marcha e equilíbrio.
  3. Exames de imagem — ressonância magnética cervical é o exame padrão; pode ser complementada por radiografias dinâmicas e tomografia em casos selecionados.

Importante: hérnia visível em ressonância NÃO significa, isoladamente, que haja doença sintomática. Mais de 30% dos adultos sem dor têm hérnia em ressonância. O diagnóstico só se confirma quando exame e história concordam com as imagens.

Tratamento Conservador

A grande maioria dos casos sem mielopatia melhora com tratamento clínico:

Medicação direcionada

Anti-inflamatórios, relaxantes musculares e neuromoduladores para dor neuropática.

Fisioterapia especializada

Tração cervical, mobilizações, fortalecimento e correção postural.

Infiltrações guiadas

Bloqueios cervicais guiados por imagem em casos selecionados.

Correção ergonômica

Adaptação do posto de trabalho, postura no uso de telas, sono adequado.

Quando Operar?

A cirurgia é indicada nas seguintes situações:

1

Falha do tratamento conservador após 6 a 12 semanas adequadas.

2

Mielopatia cervical — urgência cirúrgica para prevenir sequelas.

3

Déficit neurológico progressivo — perda de força ou sensibilidade.

4

Dor refratária e incapacitante que compromete vida pessoal e profissional.

Cirurgias para Hérnia Cervical

As 3 técnicas mais utilizadas em hérnia cervical:

ACDF

PADRÃO-OURO

Discectomia Cervical Anterior com Fusão

Acesso pequeno na frente do pescoço, remoção completa do disco herniado e fusão com enxerto e placa. Técnica consolidada há décadas com taxa de sucesso acima de 90%.

Indicação: hérnia cervical refratária, mielopatia, radiculopatia persistente.

Artroplastia Cervical

PROTESE DE DISCO

Substituição por disco artificial

Mesma via anterior da ACDF, mas em vez da fusão, é colocada uma prótese de disco que preserva o movimento. Indicação em casos selecionados em pacientes mais jovens.

Indicação: hérnias específicas em pacientes jovens, ativos, sem instabilidade.

Via Posterior

SELECIONADO

Foraminotomia ou laminectomia

Acesso pelas costas para hérnias laterais com compressão de raiz isolada ou em estenoses multinível. Pode ser feita por técnica aberta ou minimamente invasiva.

Indicação: hérnias foraminais, estenose multinível, casos específicos.

Recuperação Pós-Operatória

  • Internação: 24 a 48 horas em ACDF/artroplastia; 2 a 3 dias em via posterior aberta
  • Colar cervical: uso variável conforme técnica, geralmente 2 a 6 semanas
  • Retorno a atividades leves: 2 semanas
  • Fisioterapia: início após 2 a 4 semanas, conforme orientação cirúrgica
  • Recuperação plena: 2 a 3 meses para vida pessoal; 3 a 6 meses para esportes de impacto

Resultados: mais de 90% dos pacientes com radiculopatia bem indicada apresentam melhora significativa da dor e formigamento. Em mielopatia, a cirurgia precoce previne progressão e pode reverter parte dos sintomas neurológicos — quanto antes operada, melhor o prognóstico.

Perguntas Frequentes sobre Hérnia Cervical

Respostas diretas às dúvidas mais comuns de pacientes diagnosticados com hérnia de disco cervical.

Toda hérnia cervical precisa de cirurgia?
Não. A maioria dos casos sem mielopatia melhora com tratamento conservador (medicação, fisioterapia, eventual infiltração). A cirurgia é indicada quando há mielopatia (compressão da medula), déficit neurológico progressivo, ou falha do tratamento clínico após 6 a 12 semanas adequadas.
O que é mielopatia cervical?
É a compressão da medula espinhal pela hérnia ou outras estruturas. Diferente da compressão de raiz nervosa (radiculopatia), a mielopatia afeta funções controladas pela medula — coordenação, marcha, equilíbrio, controle esfincteriano. É emergência funcional: a cirurgia precoce previne sequelas permanentes.
Hérnia cervical pode causar fraqueza nas pernas?
Sim, em casos de mielopatia. Como a medula cervical controla os impulsos para braços e pernas, compressão medular pode causar fraqueza nos quatro membros, descoordenação de marcha e alterações esfincterianas. Esses sintomas indicam necessidade de avaliação neurocirúrgica imediata.
Qual a diferença entre ACDF e artroplastia cervical?
Na ACDF, após remover o disco herniado, é feita a fusão das vértebras com enxerto e placa — perde-se o movimento daquele segmento. Na artroplastia, em vez da fusão, é colocada uma prótese de disco que preserva o movimento. Indicações são diferentes: artroplastia em pacientes mais jovens, ativos, sem instabilidade; ACDF tem espectro de indicação mais amplo.
A cirurgia cervical é segura?
Sim, quando realizada por equipe experiente. ACDF e artroplastia são procedimentos consolidados com baixa taxa de complicações graves (menos de 1-2%). A neuromonitorização intraoperatória, microscópio cirúrgico HD e técnicas modernas tornam o procedimento ainda mais seguro.
Quanto tempo após a cirurgia posso dirigir?
Geralmente entre 2 e 4 semanas, dependendo da técnica utilizada e do conforto do paciente. O uso de colar cervical pode adiar esse retorno. A direção segura exige rotação cervical adequada e ausência de medicação sedativa.
Posso voltar a praticar esportes após cirurgia cervical?
Sim, em geral. Atividades de baixo impacto retornam em 4 a 8 semanas. Esportes de contato ou de impacto exigem 3 a 6 meses ou mais, com avaliação individualizada. Atividade física orientada é parte essencial da recuperação.
O plano de saúde cobre cirurgia para hérnia cervical?
Sim. ACDF, artroplastia cervical e cirurgias via posterior são procedimentos previstos pela ANS e cobertos pela maioria dos planos para indicações reconhecidas. A autorização exige laudo médico detalhado com a justificativa clínico-radiológica. O escritório auxilia no preparo da documentação.
Dr. Wilson Morikawa Jr.

Tratamento Especializado

Hérnia Cervical
em São Paulo

Dr. Wilson Morikawa Jr. — Neurocirurgião
CRM-SP 163.410  ·  RQE 101.438

Avaliação especializada para diagnóstico preciso e indicação cirúrgica individualizada — ACDF, artroplastia cervical ou descompressão posterior conforme o caso. Suspeita de mielopatia cervical exige avaliação em 24-48 horas. Para visão completa, leia o Guia Completo de Doenças da Coluna.

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